Começaram a valer nesta terça as novas regras para milhões de brasileiros que tomam dinheiro emprestado e depois pagam a dívida em parcelas descontadas diretamente na aposentadoria. O repórter Fábio Turci conta o que mudou no empréstimo consignado.
A tranqüilidade da aposentada Dilza Penteado acabou quando percebeu que a aposentadoria estava menor. No INSS, levou um susto: soube que estava pagando um empréstimo de R$ 5 mil feito no nome dela.
“O rapaz falou: ‘Mas a senhora esqueceu que fez um empréstimo?’. Eu disse: ‘Não, não esqueci, porque eu não fiz”.
A aposentada já pagou duas parcelas de quase R$ 260 e conseguiu a cópia do documento falso usado pelos golpistas.
“Essa pessoa que aparece nessa cópia não aparenta ter a minha idade. O nome do pai é Fernando, aqui está como Paulo. E eu nasci em Minas Gerais e aqui consta que nasceu em São Paulo”.
O crédito consignado para beneficiários da Previdência está disponível desde setembro de 2004. Os juros de até 2,5% ao mês já atraíram 9,4 milhões de brasileiros, muitos comprometeram a renda mais do que podiam e ficaram sem dinheiro para outras despesas.
Só no ano passado, o INSS recebeu 16 mil reclamações de aposentados e pensionistas contra o empréstimo consignado. Para tentar diminuir os casos de fraude e de endividamento, o governo anunciou uma série de mudanças.
A partir desta terça, o dinheiro tem que ser depositado na conta do titular do benefício e liberado apenas para clientes que moram no mesmo estado da instituição financeira.
O cartão de crédito consignado não pode mais ser usado para saques e o limite dele passa a ser de duas vezes o valor do benefício.
O pagamento das parcelas começa logo depois da liberação do dinheiro para evitar aumento nos juros. Bancos e financeiras devem informar todos os custos da operação.
O Procon diz que as medidas dão mais segurança para o consumidor, mas faz um alerta: “Se ele deseja adquirir um produto ou contratar um serviço, a melhor forma é realmente efetuar uma poupança mensal. Ele só deve contatar o crédito consignado se realmente ele se vê diante de uma situação de emergência ou urgência”, orientou Renata Reis, técnica do Procon (SP).
O banco informou que Dona Dilza não será responsável pelo empréstimo fraudulento feito em nome dela. As duas parcelas pagas foram devolvidas nesta terça.


