Tudo sobre inflação

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Artigo publicado em 22/8/2008 11:23:00 na seção Economia.

Artigo sobre Tudo sobre inflação

é equivalente ao aumento no nível geral de preços. Inflação é o oposto de deflação. Inflação zero, ou muito baixa, é uma situação chamada de estabilidade de preços.

Em alguns contextos, a palavra inflação é utilizada para significar um aumento no suprimento de dinheiro e a expansão monetária, o que é às vezes visto como a causa do aumento de preços; alguns economistas (como os da Escola austríaca) preferem o primeiro significado, em vez de definir inflação pelo aumento de preços. Assim, por exemplo, alguns estudiosos da década de 1920 nos EUA referem-se a inflação, ainda que os preços não estivessem aumentando naquele período. Mas de um modo geral, a palavra inflação é usada como aumento de preços, a menos que um significado alternativo seja expressamente especificado. Outra distinção também se faz quando analisam-se os efeitos internos e externos da inflação: externamente, a inflação se traduz mais por uma desvalorização da moeda local frente a outras, e internamente ela se exprime mais no aumento do volume de dinheiro e aumento dos preços.

Um exemplo clássico de inflação foi o aumento de preços no Império Romano, causado pela desvalorização dos denários que, antes confeccionados em ouro puro, passaram a ser fabricados com todo tipo de impurezas. O imperador Diocleciano, ao invés de perceber essa causa, já que a ciência econômica ainda não existia, culpou a avareza dos mercadores pela alta dos preços, promulgando em 301 um edito que punia com a morte qualquer um que praticasse preços acima dos fixados.

A inflação pode ser contrastada com a reflação, que é ou um aumento de preços de um estado deflacionado, ou alternativamente, uma redução na taxa de deflação (ou seja, situações em que o nível geral de preços está caindo em uma taxa decrescente). Um termo relacionado é desinflação, que é uma redução na taxa de inflação, mas não o suficiente para causar deflação.

 Processos inflacionários

Os processos inflacionários podem ser classificados, segundo algumas características como:

  • Inflação prematura - processo inflacionário gerado pelo aumento dos preços sem que o pleno emprego seja atendido.
  • Inflação reprimida - processo inflacionário gerado pelo congelamento dos preços por parte do governo.
  • Inflação de custo - processo inflacionário gerado pelo aumento dos custos de produção.
Por causa de uma redução na oferta de fatores de produção, o seu preço aumenta, com o custo dos fatores de produção mais altos, a produção se reduz e ocorre uma redução na oferta dos bens de consumo aumentando seu preço. Ocorre quando a produção se reduz, ceteris paribus.
  • Inflação de demanda - processo inflacionário gerado pelo aumento do consumo. Os preços sobem por que há aumento geral da demanda sem um acompanhamento no crescimento da oferta.
Esse é o tipo mais comum de inflação, e é o único tipo de inflação observada em casos de inflação alta porque a produção teria que se reduzir muito em um caso de inflação de custos. Uma das formas utilizadas para o controle de uma crise de inflação de demanda, é um redução na oferta de moeda, que gera uma redução no crédito, e conseqüente desaceleração econômica.

Há ainda aqueles que discutem a chamada inflação por razão estrutural, que tem a ver com alguma questão especifica de uma determinado mercado, como pressão de sindicatos, tabelamento de preços acima do valor de mercado (caso do salário mínimo), imperfeições técnicas no mecanismo de compra e venda.

 Manipulação dos Indices de Inflação

No Brasil os indices de inflação são calculados por Institutos de Pesquisas Economicas, e não por Contadores Públicos Independentes, separando como reza o boa pratica de governancia, o gestor do avaliador. Nem tampouco são auditados por Auditores Independentes. Todas as tentativas de sumeter estes indices de inflação a Auditoria Externa foram refutadas pelos economistas responsaveis por estes Institutos. Este fato aumenta o risco de se aplicar em titulos indexados, aumentando a taxa de juro real na economia Brasileira. No periodo de 1964 a 1995, a ORTN foi manipulada praticamente todo ano, tendo corrigido somente 12% da inflação do periodo, destruindo praticamente 88% da poupança nacional do periodo.

 O papel da inflação na economia

Um efeito da inflação de pequena escala é que se torna mais difícil renegociar alguns preços, e particularmente contratos e salários, para valores mais baixos -- então com o aumento geral de preços é mais fácil para que os preços relativos se ajustem. Muitos valores são bastante inelásticos para baixo, e tendem a subir; logo, os esforços para manter uma taxa zero de inflação (nível constante de preços) irão punir outros setores com queda de preços, lucros e empregos. Por conta disso alguns economistas e executivos vêem essa inflação suave como um mecanismo de "lubrificação" do comércio. Segundo algumas escolas de economia, esforços para manter uma estabilidade completa de preços podem também levar à deflação (queda constante de preços), que podem ser bastante destrutiva, estimulando falências e recessão.

Muitos na comunidade financeira lembram do "risco escondido" da inflação como um incentivo essencial para o investimento, ao invés da simples poupança, riqueza acumulada. A inflação, desta perspectiva, é vista como a expressão no mercado do valor temporal do dinheiro. Ou seja, se um real hoje é mais valioso que um real daqui a um ano, então deve haver uma desvalorização do real na economia como um todo, no futuro. Desta perspectiva, a inflação representa a incerteza sobre o valor da moeda no futuro.

Segundo os economistas da Escola austríaca, a inflação (no sentido clássico), provoca efeitos sobre a estrutura de produção da economia. Redistribuindo rendas e causando uma desproporcionalidade em relação ao volume de demanda para os vários setores da economia, já que os preços não mudam todos juntos e sim cada um com diferente intensidade. No caso de inflação monetária, em que a moeda é injetada no mercado de crédito, investimentos ineficientes são criados o que leva a crises econômicas.

A inflação, entretanto, além destas conseqüências tem vários outros efeitos crescentemente negativos na economia. Efeitos que se relacionam com o "abatimento" de atividade econômica prévia. Desde que a inflação é geralmente resultado de políticas governamentais para aumentar a disponibilidade de moeda, a contribuição do governo para um ambiente inflacionário é vista como uma taxa sobre a moeda em circulação. Com o aumento da inflação, aumenta esse peso sobre o dinheiro em circulação -- isso por sua vez promove um aumento da velocidade de circulação do dinheiro, o que por sua vez reforça o processo inflacionário (veja teoria quantitativa da moeda) em um ciclo vicioso que pode levar à hiperinflação.

  • A crescente incerteza pode desestimular o investimento e a poupança.
  • Redistribuição
    • Haverá redistribuição da renda, que se transfere progressivamente daqueles com rendas fixas (locatários, por exemplo) para aqueles com rendas mais flexíveis.
    • De modo similar será beneficiado o indivíduo que emprestou dinheiro a uma taxa fixa, e será prejudicado o emprestador que foi surpreendido pela inflação.
  • Comércio exterior: se a taxa de inflação for maior do que a praticada em outros países, uma tarifa fixa de comércio será solapada pelo enfraquecimento da posição do país na balança comercial.
  • Aumento dos custos relativos a maior velocidade de circulação do dinheiro (o exemplo simples é das pessoas que precisarão ir mais ao banco). Também devem ser considerados os custos, para empresas, da mudança continuada de preços (por exemplo, restaurantes que precisam constantemente refazer seus cardápios).
  • hiperinflação: se a inflação ficar totalmente fora de controle, interfere pesadamente no funcionamento normal da economia, prejudicando sua capacidade de oferta de bens.

Numa economia em que alguns setores são "indexados" quanto à inflação e outros não, a inflação age como uma redistribuição em sentido dos setores indexados e afastando-se dos setores não-indexados.

Por conta destes efeitos nefastos os bancos centrais costumam definir a estabilidade de preços como um objetivo primordial de suas políticas, com uma inflação perceptível, mas baixa, como ideal.

Por outro lado, segundo alguns economistas de formação heterodoxa, tais como Celso Furtado, a inflação não é um fenômeno meramente monetário: sua raiz está na questão distributiva entre os grupos sociais de uma economia. Isto é, a inflação de preços é o meio pelo qual os grupos sociais ligados às atividades produtivas dispõem para ampliar a sua apropriação do acréscimo de renda criado no processo de crescimento econômico, levando a economia para novos equilíbrios distributivos entre esses grupos. Conforme o argumento de Furtado, se a inflação fosse um efeito meramente monetário e neutro em relação ao lado real da economia (o lado da produção de bens e serviços), sem afetar a distribuição de renda, o aumento generalizado de preços deveria ocorrer de forma proporcionalmente simétrico para todos os setores da economia e não é o que é empiricamente comprovado.

 Medição da inflação

A medição da inflação é feita através de uma grandeza denominada núcleo da inflação: mede o que os economistas chamam de "coração da inflação". O Banco Central do Brasil utiliza o modelo de médias aparadas: ou seja, excluem-se as altas e baixas mais expressivas.

Outro modelo é o utilizado pelo FED (o banco central americano): aqui, são excluídos do cálculo os preços de itens mais sujeitos a choques de custo, como alimentos e energia.carece de fontes?

 Histórico do Quadro Inflacionário no Brasil

Os índices de inflação no Brasil são medidos de duas maneiras. Uma, pelo INPC, aplicado a famílias de baixa renda (aquelas que tenham renda de um a oito salários mínimos). Outra, pelo IPCA, aplicado para famílias que recebem um montante de até quarenta salários mínimos.

 Índices da inflação (IBGE)

Gráfico inflação no brasil entre 1930 e 2005
Gráfico inflação no brasil entre 1930 e 2005


  • Década de 1930 = média anual de 6%;
  • Década de 1940 = média anual de 12%;
  • Década de 1950 = 19%
  • Décadas de 1960 e 1970 = 40%
  • Década de 1980 = 330%
    • Nota = Entre 1985 e 1994 as taxas da inflação no Brasil foram altas. Para os mais ricos, a política da correção monetária ajudou a suavizar a situação;
  • Entre 1990 a 1994 =média anual de 764%
  • Entre 1995 a 2000 = média anual de 8,6%
  • Ano de 2004 = 7,60%
  • Ano de 2005 = 5,69% (IPCA): limite máximo na meta oficial = 7%; objetivo do governo = 5,1%;


Especificamente, temos o seguinte quadro inflacionário pelo IPCA cheio, no período 1998-2007:

  • 1998 = 1,65%
  • 1999 = 8,94%
  • 2000 = 5,97%
  • 2001 = 7,67%
  • 2002 = 12,53%
  • 2003 = 9,3%
  • 2004 = 7,6%
  • 2005 = 5,69%
  • 2006 = 3,14%
  • 2007 = 4,46%

A moeda nacional do Brasil mudou de nome várias vezes, principalmente nos períodos de altos índices de inflação em tal país. Na maioria das renomeações monetárias, foram cortados três dígitos de zero, estratégia esta que impediu que um quilo de carne custasse cerca de quatro milhões de unidades da moeda vigente, por exemplo.

 Inflação na Alemanha

Entre janeiro de 1919 e novembro de 1923, o índice inflacionário alemão variou em um trilhão por cento (1.000.000.000.000%). Foi a pior inflação da história, chegando-se ponto de queimar dinheiro em lareiras para aquecer-se contra os rigorosos invernos. Tudo isso deve-se ao Tratado de Versalhes imposto pelos países vencedores da I Guerra, que acabou com sua infra-estrutura e aniquilou sua economia, sem contar com a destruição causada pela guerra.

Artigo publicado por Marcelo Calado em 22/8/2008 11:23:00. Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores.
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