
Os brasileiros formam uma nacionalidade indissociavelmente ligada ao Estado brasileiro, ou seja, a característica fundamental de um brasileiro é sua ligação com a República Federativa do Brasil. Como é característica dos países do Novo Mundo o povo brasileiro não forma um grupo étnico homogêneo, não existindo - na Antropologia tradicional - uma etnia brasileira.
No período que se seguiu à descoberta do território brasileiro por Portugal, durante boa parte do século XVI, o vocábulo “brasileiro” foi dado aos comerciantes de pau-brasil, designando exclusivamente o nome da profissão. No entanto, desde muito antes da independência do Brasil, em 1822, tanto no Brasil como em Portugal, já era comum se atribuir o gentílico "brasileiro" a uma pessoa nascida ou residente na então colônia.
//Há atualmente 183,9 milhões de brasileiros, segundo o relatório final da Contagem da População do IBGE, feita em 5.435 municípios com até 170 mil brasileiros. Nos últimos sete anos, o Brasil ganhou mais 14 milhões de brasileiros, o que corresponde a um estado do porte da Bahia. Entre as Grandes Regiões, todas as regiões apresentaram crescimento.
O Sudeste ainda lidera, com 77,8 milhões, seguido do Nordeste (51,5 milhões); Sul (26,7 milhões), Norte (14,5 milhões); e Centro-Oeste (13,2 milhões). Há sete anos, mantida a ordem de regiões acima, os números eram de, respectivamente: 72,4 milhões (Sudeste); 47,7 milhões (Nordeste); 25 milhões (Sul); 12,9 milhões (Norte); e 11,6 milhões (Centro-Oeste). Já nos estados, o mais populoso continua a ser São Paulo, com 39,8 milhões de habitantes, seguido de Minas Gerais (19,2 milhões), Rio de Janeiro (15,4 milhões), Bahia (14 milhões) e Rio Grande do Sul (10,5 milhões). O menos populoso é Roraima (395,7 mil habitantes), seguido do Amapá (587,3 mil) e Acre (655,3 mil). Palmas, no Tocantins, ainda é a capital menos populosa do Brasil, com 178,3 mil habitantes.
O sistema de ensino brasileiro foi o pior colocado em um estudo promovido pelo Banco Mundial a respeito das condições dos principais países emergentes para se inserirem na chamada "sociedade do conhecimento", estágio mais avançado do capitalismo.carece de fontes
Em 26 de outubro de 2006, a Unesco publicou o relatório anual "Educação para Todos" colocou o país na 72º posição, em um ranking de 125 países. Com a velocidade de desenvolvimento atual, o país só atingiria o estágio presente de qualidade dos países mais avançados em 2036.
O grau de educacional da população brasileira é ínfimo perto dos outros países latino americanos, bem como de outras economias emergentes. Enquanto que a escolaridade média do brasileiro é de 4,9 anos, a dos Argentinos é de 8,8 anos. O ensino médio completo no país atinge apenas 22% da população, contra 55% na Argentina e 82% na Coréia do Sul.1
De acordo com o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (PISA), o Brasil está sempre em último lugar em leitura, matemática e ciências.
Estudos da Fundação Getúlio Vargas afirmam que 35% das desigualdades sociais brasileiras podem ser explicadas pela desigualdade no ensino. Há hoje no Brasil mais de 97% crianças de sete a 17 anos matriculadas no ensino fundamental.2
O sistema de ensino para brasileiros é formado pela educação básica; educação infantil, nove anos de ensino fundamental (sete a quinze anos), três anos de ensino médio (dezesseis a dezeoito anos) e ensino profissionalizante; e pelo ensino superior, de acordo com a Lei 9394/96.
O país apresenta um grande avanço em relação ao ensino fundamental, caminhando para a universalização. Em 2006, cerca de 97,2% das crianças entre sete e catorze anos freqüentavam a escola.3 Entretanto, ainda há um grande déficit de qualidade neste ensino: segundo os dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), em 2003, 22% dos alunos da quarta série do ensino fundamental não desenvolveram competências elementares de leitura (ou seja, ainda estão em uma situação de semianalfabetismo)4.
A educação básica (ou ensino básico) é a designação dada ao nível de ensino correspondente aos primeiros anos de educação formal. Esta denominação corresponde, consoante o sistema educativo que o ministra, a um conjunto específico de anos de escolaridade, correspondendo, na generalidade dos casos, aos primeiros 4 a 9 anos de escolaridade.
Considera-se como educação infantil, o período de vida escolar em que se atendem, pedagogicamente, a crianças com idade entre 0 e 6 anos (Brasil).
O ensino fundamental é uma das etapas da educação básica no Brasil. Tem duração de nove anos, sendo a matrícula obrigatória para todas as crianças com idade entre seis e 14 anos.
O ensino secundário é um nível de ensino cuja denominação corresponde, consoante o país, a um conjunto específico de anos de escolaridade.
O ensino profissionalizante no Brasil é uma uma categoria de cursos escolares (chamados freqüentemente de cursos técnicos) destinados a formar profissionais de nível técnico. Há a opção de se fazer esses cursos integrados com o ensino médio ou separados, à partir do término do 2º ano do ensino médio.
O ensino superior é o nível mais elevado dos sistemas educativos
O ensino médio (quinze a dezessete anos) é faixa que se preparam os alunos para ingressarem no ensino superior. Entretanto, o ensino médio funciona como um divisor de águas social, promovendo as desigualdades em termos regionais e étnicos, as quais, mais tarde, refletem-se na desigualdade de renda entre os brasileiros.
A taxa de freqüência líquida (indicador que identifica o percentual da população em determinada faixa etária matriculada no nível de ensino adequado a essa faixa etária) cai, assim, para 81,7% no ensino médio3. Em um mundo altamente competitivo, parte da população é penalizada com a baixa escolaridade, condenada aos postos menos valorizados e mal remunerados. Ao mesmo tempo, esta mão de obra é desvalorizada pelas empresas, que preferem buscar trabalhadores mais qualificados em outros países, gerando desemprego e informalidade. Por outro lado, a taxa de freqüência bruta (total de matrículas de determinado nível de ensino com a população na faixa etária adequada a esse nível de ensino), é mais animadora, de 91,2%.3
A situação é agravada pela desigualdade do acesso ao ensino médio entre negros e brancos, e entre as regiões do país. Enquanto que no Sudeste a taxa de freqüência no ensino médio é de 85%, está é de apenas 79,3% no Nordeste3. Da mesma forma, a taxa de freqüência é de 80% entre os brancos, e apenas de 28,2% entre pardos e negros.carece de fontes
O ensino superior apresenta uma taxa de freqüência de apenas 9,8%. É nesta instância que se forma a camada mais importante para a independência de um país, responsável pela administração geral da nação e pelo desenvolvimento de pesquisas nas mais diversas áreas, as quais promovem o desenvolvimento da sociedade e das empresas, e dão as condições de competitividade externa. As desigualdades regionais e étnicas também são claramente visíveis neste nível. Enquanto que a taxa de freqüência é 13,7% na região Sul, no Nordeste esta é de apenas 5,1%. Da mesma forma, 15,5% dos brancos entre 18 e 24 anos freqüentam o ensino superior, contra apenas 3,8% dos negros e pardos.carece de fontes
A população brasileira é formada principalmente por descendentes de povos indígenas, colonos portugueses, escravos africanos e diversos grupos de imigrantes que se estabeleceram no Brasil, sobretudo entre 1820 e 1970. A maior parte dos imigrantes era de italianos e portugueses, mas houve significante presença de alemães, espanhóis, japoneses e sírio-libaneses.5
| Cor/Raça (2006)6 | |
|---|---|
| Branca | 49,7% |
| Parda | 42,6% |
| Negra | 6,9% |
| Amarela | 0,5% |
| Indígena | 0,3% |
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) classifica o povo brasileiro entre cinco grupos: branco, negro, pardo, amarelo e indígena, baseado na cor da pele ou raça. A última PNAD (Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios) encontrou o Brasil sendo composto por 93.096 milhões de brancos, 79.782 milhões de pardos, 12.908 milhões de negros, 919 mil amarelos e 519 mil indígenas.
Comparado a outros censos realizados nas últimas duas décadas, pela primeira vez o número de brancos não ultrapassou os 50% da população. Em 2000, os brancos eram 53,7% no censo. Em comparação, o número de pardos cresceu de 38,5% para 42,6% e o de negros de 6,2% para 6,9%.7 De acordo com o IBGE, essa tendência se deve ao fato da revalorização da identidade histórica de grupos raciais historicamente discriminados.6 A composição étnica dos brasileiros não é uniforme por todo o País. Devido ao largo fluxo de imigrantes europeus no Sul do Brasil no século XIX, a maior parte da população é branca: 79,6%8. No Nordeste, em decorrência do grande número de africanos trabalhando nos engenhos de cana-de-açúcar, o número de pardos e negros forma a maioria, 62,5% e 7,8%, respectivamente9. No Norte, largamente coberto pela Floresta Amazônica, a maior parte das pessoas é de cor parda (69,2%), devido ao importante componente indígena10. No Sudeste e no Centro-Oeste as porcentagens dos diferentes grupos étnicos são bastante similares.
De acordo com a Constituição Brasileira de 1988, racismo é um crime inafiançável e condenável à prisão.11
Significativas violações de direitos humanos continuam a ocorrer abusos significativos contra o brasileiro. A polícia é freqüentemente abusiva e corrupta, as condições das prisões são péssimas e a violência rural e os conflitos de terra são permanentes. Defensores de direitos humanos sofrem ameaças e ataques. O ano de 2006 foi marcado por embates violentos entre a polícia e grupos criminosos, além de uma série de rebeliões nas prisões brasileiras.
Embora o governo brasileiro tenha feito esforços para reparar as violações de direitos humanos, as punições continuam sendo esporádicas.
Segundo dados oficiais, a polícia matou 538 pessoas no estado de São Paulo nos primeiros seis meses de 2006, um aumento de 87% em relação ao mesmo período de 2005. Os embates entre a polícia e membros do PCC causaram a morte de mais de 100 civis e cerca de 40 agentes de segurança no estado de São Paulo, de acordo com estimativas oficiais. A violência policial também foi comum no estado do Rio de Janeiro, onde a polícia matou 694 pessoas no primeiro semestre de 2007.12
A tortura também permanece como um problema relevante para brasileiros. Relatórios apontam que um número preocupante de policiais e agentes penitenciários torturam pessoas sob sua custódia como forma de punição, intimidação e extorsão.
Estimativas indicam que entre 25 e 40 mil pessoas ainda estão submetidas à situação de trabalho escravo no Brasil. A Organização Internacional do Trabalho relatou em 2006 que a impunidade é um dos maiores obstáculos para erradicar essa prática entre brasileiros. Um projeto de lei propondo a expropriação de terra pelo uso do trabalho escravo está em tramitação no Congresso desde 2001.13
Em relação ao trabalho infantil 151 mil novos casos foram relatados em 2006, o que implica um retrocesso em relação aos anos anteriores.14
De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, em junho de 2006 a taxa de miséria baseada em renda de trabalho era de 18,57% da população, com queda de 19,8% nos 4 anos anteriores.15 A taxa de miséria é parcialmente atribuída à desigualdade econômica entre brasileiros, que de acordo com o Coeficiente de Gini, é uma das maiores do mundo.
A região com maior concentração de pobreza é o Nordeste, que possui áreas com problemas crônicos, como a seca e a fome devido ao clima semi-árido.carece de fontesPorém, a pobreza pode ser vista também nos numerosos e precários subúrbios das grandes cidades, sobretudo nas favelas, comunidades miseráveis nas regiões metropolitanas das grandes cidades.
Devido a diversos grupos de imigrantes, os brasileiros possuem uma rica diversidade de culturas, que sintetizam as diversas etnias que formam o povo brasileiro. Por essa razão, não existe uma cultura brasileira homogênea, e sim um mosaico de diferentes vertentes culturais que formam, juntas, a cultura brasileira. É notório que, após mais de três séculos de colonização portuguesa, a cultura do Brasil cultura brasileira é, majoritariamente, de raiz lusitana. É justamente essa herança cultural lusa que compõe a cultura brasileira: são diferentes etnias, porém, todos falam a mesma língua (o português) e, quase todos, são cristãos, com largo predomínio de católicos. Esta igualidade lingüística e religiosa é um fato raro para uma cuntura como a cultura brasileira.
Embora seja um país de colonização portuguesa, outros grupos étnicos deixaram influências profundas na cultura nacional, destacando-se os povos indígenas, os africanos, os italianos e os alemães. As influências indígenas e africanas deixaram marcas no âmbito da música, da culinária, no folclore e nas festas populares. É evidente que algumas regiões receberam maior contribuição desses povos: os estados do Norte têm forte influência das culturas indígenas, enquanto certas regiões do Nordeste têm uma cultura bastante africanizada.
Quanto mais à sul do Brasil nos dirigimos, mais europeizada a cultura se torna. No Sul do país as influências de imigrantes italianos e alemães são evidentes, seja na culinária, na música, nos hábitos e na aparência física das pessoas. Outras etnias, como os árabes, espanhóis, poloneses e japoneses contribuíram também para a cultura brasileira, porém, de forma mais limitada.
O português é a língua oficial e falada por toda a população. O Brasil é o único país de língua portuguesa das Américas, dando-lhe uma distinta identidade cultural em relação aos outros países do continente. Ainda é o idioma mais falado na América do Sul (50,1% dos sul-americanos o falam).
O português é o único idioma falado e escrito oficial do Brasil, podendo existir, entre regiões e estados do país, pequenas variações na linguagem coloquial. É a língua usada nas instituições de ensino, nos meios de comunicação e nos negócios. A Linguagem Brasileira de Sinais é, no entanto, considerada um meio de comunicação legal no país.
O idioma falado no Brasil é em parte diferente daquele falado em Portugal e nos outros países lusófonos. O português brasileiro e o português europeu não evoluíram de forma uniforme, havendo algumas diferenças na fonética e na ortografia, embora as diferenças entre as duas variantes não comprometam o entendimento mútuo.
Na época do Descobrimento, é estimado que falavam-se mais de mil línguas no Brasil. Atualmente, esses idiomas estão reduzidos à 180 línguas. Das 180 línguas, apenas 24, ou 13%, têm mais de mil falantes; 108 línguas, ou 60%, têm entre cem e mil falantes; enquanto que 50 línguas, ou 27%, têm menos de 100 falantes e metade destas, ou 13%, têm menos de 50 falantes, o que mostra que grande parte desses idiomas estão em sério risco de extinção.
Nos primeiros anos de colonização, as línguas indígenas eram faladas inclusive pelos colonos portugueses, que adotaram um idioma misto baseado na língua tupi. Por ser falada por quase todos os habitantes do Brasil, ficou conhecida como língua geral. Todavia, no século XVIII, a língua portuguesa tornou-se oficial do Brasil, o que culminou no quase desaparecimento dessa língua comum.
Com o decorrer dos séculos, os índios foram exterminados ou aculturados pela ação colonizadora e, com isso, centenas de seus idiomas foram extintos. Atualmente, os idiomas indígenas são falados sobretudo no Norte e Centro-Oeste. As línguas mais faladas são do tronco Tupi-guarani.
Além das dezenas de línguas autóctenes, dialetos de origem alóctones são falados em colônias rurais mais isoladas do Brasil meridional, sobretudo o hunsrückisch e o talian (ou vêneto brasileiro), de origens alemã e italiana, respectivamente1617.
Sendo constitucionalmente um estado laico, o brasileiro não possui religião oficial e a discriminação aos seguidores de determinada religião é ilegal. Apesar disso, a população do país é tradicionalmente seguidora da Igreja Católica Apostólica Romana e é inegável a influência de tal religião em vários momentos do passado e até mesmo do presente. Nos dias de hoje o Brasil é considerado o maior país católico do mundo em números absolutos.
A predominância do catolicismo, entretanto, deve ser relativizada quando se leva em conta a recente ascensão do protestantismo e a importância histórica das religiões afro-brasileiras, o Candomblé e a Umbanda, na formação cultural e ética do povo brasileiro, apesar de terem sido perseguidas até o começo do século XX, quando a prática religiosa era reprimida pela polícia.
O censo demográfico realizado em 2000 pelo IBGE apontou a seguinte estrutura religiosa do Brasil18:
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Cardeal Cláudio Hummes |
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A culinária brasileira é fruto de uma mistura de ingredientes europeus, indígenas e africanos. A refeição básica do brasileiro consiste em arroz, feijão e carne. O prato internacionalmente mais representativo do país é a feijoada. Os hábitos alimentares variam de região para região. No Nordeste há grande influência africana na culinária, com destaque para o acarajé, vatapá e molho de pimenta. No Norte há a influência indígena, no uso da mandioca e de peixes. No Sudeste há pratos diversos como o feijão tropeiro e angu, em Minas Gerais, e a pizza em São Paulo. No Sul do país há forte influência da culinária italiana, em pratos como a polenta, e também da culinária alemã. O churrasco é típico do Rio Grande do Sul.

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