Tudo sobre acupuntura?

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Artigo publicado em 2/8/2008 21:07:00 na seção Saúde.

Artigo sobre Tudo sobre acupuntura?

O que é acupuntura?

A acupuntura é uma técnica de tratamento que consiste no estímulo de pontos determinados da superfície da pele. Podem ser utilizados neste processo agulhas, ventosas, massagens, e até o calor proveniente da queima da moxa, preparada à partir da erva artemísia (moxabustão).

Quando e onde surgiu?

Possivelmente antes da era cristã, na China. Para alguns historiadores, as agulhas de acupuntura seriam o resultado da evolução das lancetas usadas para perfurar bolhas ou pústulas. Para outros, a prática da acupuntura teria se iniciado a partir da experiência corriqueira de massagearmos o local dolorido para fazer passar a dor. De qualquer maneira, as evidências arqueológicas não nos permitem ter certeza quanto ao processo de formação do corpo de conhecimentos da acupuntura. Da China, ela se espalhou por vários países da Ásia, adquirindo características peculiares à cultura da região onde se estabelecia. No Japão, por exemplo, as agulhas são mais finas, se dá mais atenção à palpação do abdomen, mas os princípios básicos de diagnóstico e tratamento são sempre os mesmos.

Para que serve?

Além dos casos de dor, várias doenças funcionais podem ser tratadas pela acupuntura. Dentro da concepção chinesa, a doença é uma manifestação de desequilíbrio, e a acupuntura seria uma forma de readquirir a harmonia perdida. Entre as doenças tratáveis pela acupuntura estão: dores em geral, especialmente do aparelho músculo-esquelético, gastrite, stress, distúrbios hormonais, insônia, asma, distúrbios menstruais, paralisia facial, sinusite, incontinência urinária. Para saber se a acupuntura é adequada para o seu caso específico, pergunte ao seu médico acupunturista.

Quando procurar um médico acupunturista?

De preferência, no início dos sintomas. Via de regra, quanto mais recente o problema, maior e mais rápida a possibilidade de resolvê-lo. O lado preventivo da acupuntura consiste na possibilidade de ir contra a doença antes que ela se manifeste em sua plenitude, isto é, no estágio onde sabemos que estamos quase ficando doentes, mas ainda não há sintomas concretos, na fase de mal estar que precede a doença.

Posso misturar outros tratamentos com a acupuntura?

Não é proibido associar a acupuntura a outros tratamentos. Fisioterapia, remédios alopáticos, psicoterapia, homeopatia, geralmente são beneficiados pela associação com a acupuntura, ocorrendo desde a aceleração e a facilitação de processos terapêuticos até a redução das doses dos remédios utilizados.

A acupuntura dói?

Não deve. Eventualmente podemos acertar um nervo superficial ou um ponto mais sensível da pele, causando dor. Neste caso, deve-se informar ao médico, que corrigirá a inserção da agulha. Tratamento doloroso é quase sempre relacionado a um mau profissional.

Há sangramento?

Eventualmente um vaso sanguíneo pode ser atingido. Nas mãos de um médico experiente a acupuntura é isenta de riscos, logo tais sangramentos e hematomas resultantes não devem ser motivo de preocupação, pois são superficiais e ocorrem raramente.

Quais os efeitos colaterais da acupuntura?

Alguns pacientes podem se sentir sonolentos e relaxados após a sessão. Em certos casos pode haver a piora dos sintomas, que geralmente é seguida pela melhoria da condição do paciente. Pontos muito sensíveis podem se tornar dolorosos se manipulados em excesso, porém a dor resultante tende a melhorar com o passar do tempo.

A acupuntura pode transmitir doenças?

A acupuntura é um método invasivo e, como tal, deve-se seguir as regras básicas de esterilização. Usando-se material esterilizado não há risco algum. Hoje temos agulhas descartáveis disponíveis, tornando mais prático e seguro o tratamento.

Como é uma sessão de acupuntura?

Na primeira consulta busca-se estabelecer o diagnóstico, tanto na visão ocidental quanto na visão própria da acupuntura. Os pontos são selecionados de acordo com o diagnóstico. Após a limpeza da pele com álcool a 75º, as agulhas descartáveis são inseridas de forma indolor e deixadas no local, sendo retiradas depois de quinze minutos. Durante o período no qual as agulhas estão inseridas, recomenda-se ao paciente não se mover. As sessões posteriores são aproximadamente iguais.

Qual a preparação necessária antes e quais os cuidados após uma sessão?

Pede-se ao paciente que não se alimente imediatamente antes da sessão, que esteja o mais relaxado possível, e que não se banhe após a sessão de acupuntura.

As agulhas podem permanecer na pele após a sessão?

Sim. Em alguns casos, deixa-se uma agulha pequena coberta com esparadrapo no período entre uma sessão e outra, para que haja estímulo do ponto durante todo este tempo. A agulha de demora, como é chamada, pode ser molhada, recomendando-se que seja retirada ao primeiro sinal de incômodo.

Qual a frequência do tratamento?

Usualmente a frequência é de uma vez por semana, porém em casos agudos sessões diárias podem ser necessárias. A duração do tratamento é dependente do tempo da doença: quanto mais recente, mais rápido o resultado. Algumas doenças respondem mais rapidamente que outras. Como exemplo, dores lombares de origem músculo-ligamentar com menos de seis meses de duração exigem, em média, cinco sessões até o seu controle.

Quando posso interromper o tratamento?

Geralmente a alta acontece na ausência dos sintomas que levaram o paciente ao consultório. Em princípio sessões de manutenção não são necessárias, mas o paciente deve retomar o tratamento se notar que os sintomas estão reaparecendo. Neste caso, quanto mais cedo, mais rápido o resultado.

Como a acupuntura age? É somente um analgésico?

O mecanismo de ação da acupuntura ainda não foi completamente elucidado. Sabe-se que o estímulo dos pontos leva à produção de substâncias que teriam ação sobre receptores do sistema nervoso (neurotransmissores e neuromediadores), e que o resultado final seria a normalização das funções alteradas. A acupuntura teria também ação anti-inflamatória por estimular a produção de corticóides pela glândula supra-renal. A acupuntura é mais que um analgésico, combatendo a dor através da resolução do processo inflamatório que a causa. Há similaridades entre os efeitos da acupuntura e os causados pela serotonina, que é um neuromediador produzido pelo nosso cérebro.

HISTÓRIA DA MEDICINA CHINESA

O Ocidente teve sua atenção voltada para a acupuntura por causa do artigo do jornalista James Reston, publicado em 1971, que descrevia o efeito da acupuntura nas suas dores pós-operatórias depois de submetido a uma apendicectomia de emergência, quando acompanhava a equipe norte-americana de tênis de mesa. Desde então a acupuntura foi sendo adotada pela medicina ocidental, em princípio cercada de preconceitos, mas ultimamente como uma especialidade médica, caso do Brasil, sendo reconhecida pelas seguradoras da área da saúde, inclusive as HMO americanas.

Podemos reconhecer três maneiras de estudar a história da medicina chinesa:

Assumir que os conceitos chineses de doença e tratamento são superiores aos ocidentais: Manfred Porkert

Uma visão histórica que enfatiza os aspectos que seriam precursores do pensamento médico ocidental atual, tomando este como verdade científica: Joseph Needham

Estudar a medicina como um aspecto da cultura chinesa: Paul Unschuld

Uma das características da civilização chinesa é sua capacidade sincrética. Contrariamente ao ocidente, na China os novos conceitos não anulavam os anteriores e sim, conviviam ao mesmo tempo. Não havia um processo dialético de síntese e nem a substituição do paradigma antigo por um novo. Isto fez com que conceitos contraditórios fossem usados ao mesmo tempo para explicar um fenômeno. Desta forma, podemos encontrar os seguintes aspectos no que chamamos medicina chinesa:

terapia oracular

medicina sobrenatural ou dos demônios

cura religiosa

terapia farmacológica pragmática

medicina budista

medicina de correspondência sistemática

Com relação ao elo causal necessário à explicação da doença, podemos encontrar duas formas de pensamento na medicina chinesa:

Relações de causa-efeito entre fenômenos correspondentes

Relações de causa-efeito entre fenômenos não correspondentes

Fenômenos seriam manifestações de um número variável de princípios; fenômenos que são manifestações de um mesmo princípio são correspondentes: mudança em um afeta o outro. Na correspondência sistemática há um número limitado de princípios. Todos os fenômenos podem ser classificados como um dos dois ("yin yang") ou um dos cinco ("Cinco Fases" wu xing) princípios. Outra possibilidade seria a dos fenômenos coexistirem independentemente e, sob determinadas condições, exercerem influências mútuas benéficas ou prejudiciais. O vento, a umidade, a comida poderiam, em certas condições, afetar o homem.

Segundo Unschuld, a pluralidade de conceitos envolvendo causalidade da doença é inevitável numa sociedade onde grupos diferentes coexistem em realidades socioeconômicas diferentes; mudança nestes conceitos é inevitável numa sociedade onde ocorre mudança sociopolítica básica; conceitos de saúde antigos sobrevivem em grupos sociais que continuam a seguir uma ideologia sociopolítica coerente; um grupo que esteja em busca de influência política ou de domínio criará ou apoiará um conjunto específico de conceitos terapêuticos consistentes com suas normas sociais. Com estas noções em mente podemos então passar para a história propriamente dita.

Medicina na Era Shang

A era Shang foi a primeira a deixar sinais de atividades terapêuticas, segundo achados arqueológicos datados dos séc. 18-16 AC, no curso médio do Rio Amarelo.

Já havia uma forma precursora da escrita ideográfica, que era encontrada em carapaças de tartarugas e ossos de animais usados como oráculo. Estas carapaças e ossos eram perfurados e submetidos ao calor; as rachaduras resultantes eram interpretadas pelo rei ou por um adivinho.

As bases econômicas eram a agricultura e o gado. Existiam pequenas cidades onde vivia a nobreza, enquanto a maior parte da população habitava o campo.

A comunidade era formada pelos vivos e pelos mortos, os ancestrais, que dependiam dos vivos e seus rituais, enquanto os vivos eram dependentes dos favores ou maldições dos seus ancestrais.

Ti era o ancestral supremo, que provia assistência nas colheitas e nas guerras, e que era influenciado pelos ancestrais do rei.

Os Shang já reconheciam algumas (poucas) doenças, a mais importante delas sendo "maldição de um ancestral", cujos sintomas poderiam abranger desde dor de dentes até derrota na guerra.

Os procedimentos preventivos e terapêuticos envolviam presentes e oferendas aos ancestrais.

Há referências a outras causas de doenças, como "vento maligno" ou "neve", que seriam combatidos através dos shamans.

Medicina na Era Chou

Os Shang concentravam sua autoridade na capital, enquanto as regiões externas eram frágeis frente à agressão estrangeira. Por causa desta fragilidade, os Chou tomaram o poder em 1100 AC, fundando a era que toma seu nome.

A era Chou foi um período de equilíbrio sociopolítico, num sistema similar ao feudalismo europeu. Foi um tempo de paz que se interrompeu em 771 AC, com a perda gradual do poder imperial após uma série de lutas sucessórias, até 481 AC, quando se iniciou o período chamado "Estados em Guerra", em que houve um acentuado declínio moral, as velhas ordens e regras perdendo o sentido, não havendo mais o conceito de "honra" que incluia até a ética da guerra, cujo objetivo passara a ser não mais a derrota do inimigo e sim sua total aniquilação.

Estes pequenos estados em guerra criaram um mundo caótico, e o período estável do início da era Chou passou a ser considerado e lembrado como um tempo idílico. Confúcio nasceu neste período conturbado, e sua filosofia buscaria o tempo idílico, de harmonia e paz, do início da era Chou.

Em 221 AC o estado Ch'in conseguiu a supremacia sobre os outros e unificou a China. O novo rei, Shih Huang Ti, rejeitou os valores feudais que ainda restavam, e fundou um estado baseado no crescimento de riqueza material e poder militar, adotando o pensamento dos Legalistas, que preconizava um sistema rígido de leis, padronizando pesos, medidas, até a largura das estradas. Shih Huang Ti ordenou a queima de toda a literatura que não fosse científica ou religiosa, mas morre 11 anos depois de tomar o poder, começando então a era Han.

Durante a era Chou, a causa dos infortúnios, antes baseada nos ancestrais e suas influências sobre os vivos, passa a tomar em conta a percepção de que "demônios" teriam importância na vida cotidiana.

A harmonia nos relacionamentos não seria mais mantida pelos ancestrais, e foram criados mitos reconhecendo "demônios" que exerceriam influências maléficas sobre o homem. Cresce de importância a presença dos shamans Wu. Estes shamans utilizavam seu acesso aos espíritos mais graduados para controlar os demônios, através de exorcismos, geralmente usando espadas e lanças. Há a atribuição de horas ou dias determinados como os mais apropriados para os rituais shamânicos. São utilizados talismãs, que são queimados e administrados sob a forma de poções, assim como drogas medicinais que serviriam para expulsar os demônios do corpo, especialmente venenos, usados como amuletos ou incensos, plantas com a aparência de armas ou cujo nome pudesse ser associado a uma arma.

Contrariamente à medicina na era Shang, o respeito às regras, ritos e convenções sociais não era proteção contra a doença.

Há o surgimento de uma forma rudimentar de acupuntura, onde agulhas sob a forma das espadas dos exorcistas eram inseridas ou pressionadas sobre treze pontos determinados da superfície da pele, para tratar as doenças causadas pelos demônios. Esta forma de acupuntura não teria como objetivo tratar as doenças em si, e sim, expulsar e combater os demônios. Não há indícios de acupuntura terapêutica no sentido real antes de 90 AC.

A Medicina de Correspondência Sistemática

Como vimos anteriormente, correspondência sistemática, no caso da medicina Chinesa, significa o reconhecimento de um sistema no qual os fenômenos se qualificam segundo princípios, e fenômenos de igual qualificação teriam poder de influência mútua. Se A e B são classificados como yang, por exemplo, agir sobre A causaria um efeito similar em B, pois pertencem à mesma classificação sistemática. Na Medicina Chinesa os princípios básicos são "yin yang" e "Cinco Fases" (wu xing), que veremos em capítulos a seguir.

O caos existente na era "Estados em Guerra" motivou o surgimento da forma de pensar que caracteriza a medicina de correspondência , que tem como pontos principais: a crença mágica na unidade da natureza; o uso dos princípios "yin yang" e "cinco fases"; englobar alguns conceitos oriundos da medicina dos demônios; o conceito de "Qi" como a base da vida, que seriam "influências materiais sutis", segundo Unschuld, sendo que esta forma de pensar apresentaria certas características da estrutura do império chinês por fim unificado, como veremos adiante.

O princípio "yin yang" surge por volta do quarto século AC, sendo sua primeira citação encontrada no "Shih Chi". No livro "Huang Ti Nei Ching" encontramos a sua primeira aplicação em medicina. Existiram várias escolas baseadas no "yin yang", algumas usando quatro subdivisões, outras seis subdivisões, e o "Nei Ching" é uma tentativa de integrar estas várias correntes com as "Cinco Fases". Uma grande dificuldade que encontramos no estudo de alguns destes conceitos é que às vezes o mesmo termo pode significar conceitos diferentes, em função do contexto onde se insere.

Apesar de encontrarmos em várias citações o Taoísmo como sendo a base da medicina chinesa, Unschuld demonstra ser o Confucionismo o maior contribuinte em relação ao modo de pensar da Medicina de Correspondência Sistemática. O "Nei Ching", tratado fundador desta medicina, cita quase textualmente um trecho de Hsun Tzu, seguidor de Confúcio, que diz que o indivíduo e a sociedade podem ser ameaçados por processos naturais, mas que a prevenção seria adotar as medidas apropriadas. O próprio Confucionismo adotou o "yin yang" e as "Cinco Fases" para explicar mudanças sociais e políticas.

A Medicina de Correspondência Sistemática usa termos bélicos, influência da sua fase formativa nos "Estados em Guerra". Os males não seriam causados por demônios, e sim por influências e emanações abstratas ou concretas. Surge o conceito de "Qi" , possivelmente originário da idéia do "vento" como uma entidade causadora de doenças, idéia por si que nasce no conceito de demônios.

Em princípio, "Qi" seria somente a influência malévola, mas com o tempo evoluiu para o conceito atual, aproximadamente "influências materiais sutis", como vimos acima. (Para uma discussão mais aprofundada sobre a tradução de "Qi", veja em "Qi e Energia:Tradução, Tradição, Traição"). Surgem os conceitos de "repleção" e "depleção": "repleção" seria a supremacia de influências malévolas, enquanto "depleção" seria a perda das influências apropriadas do organismo.

A saúde e a harmonia seriam consequência de não haverem extravagâncias ou excessos, sejam alimentares, sexuais, climáticos ou morais.

A patologia na Medicina de Correspondência Sistemática constituia em:
1) "repleção" ou "depleção" nos órgãos Zang Fu

2) obstrução nos canais ou meridianos Ching.

Podemos entender o surgimento destas idéias se associarmos que, nesta mesma época, o império se unia e se integrava, surgindo grandes metrópoles, desenvolvendo-se o comércio e as trocas, com a necessidade da melhora dos meios de transportes, assim como da construção de grandes depósitos que assegurassem o fornecimento de grãos à população. Nasce um sistema complexo cujo funcionamento dependia de que as relações entre as partes deste sistema estivessem harmonizadas.

O bem estar geral dependia da troca de recursos entre as partes do sistema. A terminologia médica usou os termos e os conceitos empregados no sistema como um todo: Zang, depósitos ou órgãos onde o Qi se armazenava; Fu, palácios por onde o Qi passava; Ching-Lo, canais que uniam todo o sistema, como os rios e canais da China integravam o império. Refletindo o que ocorre na irrigação dos campos e na navegação dos rios, era necessário que este fluxo fosse contínuo, sem obstruções ou transbordamentos, que levariam a falhas na distribuição dos bens, causando deficiência nos centros de consumo e excesso nos centros de produção. A Medicina de Correspondência Sistemática tem como objetivo então identificar e localizar estas obstruções, deficiências e repleções, tratando através da normalização do fluxo do Qi nos canais (ou meridianos), não se valorizando a anatomia, e sim as funções envolvidas.

A Acupuntura

A primeira descrição histórica da acupuntura como terapêutica é feita por Ssu Ma Ch'ien no "Shih Chi", 90AC. Foram descobertos recentemente nas tumbas encontradas em Ma Wang Tui livros que descrevem onze canais separados, cada um associado a uma gama de sintomas específicos, sem referência a pontos de acupuntura. Não se explicita nestes livros que tipo de circulação haveria, ou se haveria tal circulação, e somente quatro destes canais são associados aos órgãos. O tratamento seria efetuado através da queima de lã de Artemísia, ou "moxa", ou pela punção de abcessos feita com pedras ponteagudas.

O "Nei Ching" traz a primeira sistematização de todos os conceitos de saúde existentes no final da era dos "Estados em Guerra" e início da era Han. Surgem os pontos como locais de estímulo, os doze canais e a associação entre canais e órgãos. É um livro algumas vezes contraditório, possivelmente escrito por vários autores de épocas diversas, e que engloba conceitos antagônicos, bem ao modo sincrético da cultura chinesa.

Posteriormente o "Nan Ching" refina a Medicina de Correspondência Sistemática, definindo as regras e procedimentos que seriam utilizados pela acupuntura até os nossos dias. Somente na era Song surge outra obra importante, o "Da Cheng", que reúne a experiência prática de acupuntura existente nesta época. O "Nan Ching" foi um pouco esquecido como referência básica nos séculos seguintes, a visão sincrética e controversa do "Nei Ching" se estabelecendo como a principal, inclusive tendo sido a que primeiro se conheceu no Ocidente.

A Acupuntura no Ocidente

Notícias sobre uma forma exótica de medicina praticada pelos chineses já chegavam ao Ocidente desde 1255, com a "Viagem à Terra dos Mongóis", de William de Rubruk. Padres jesuítas portugueses, ao viverem longos períodos no Japão à partir do século 16, puderam conhecer mais detalhes da forma japonesa de praticar a medicina chinesa. No século 17 começaram os relatos médicos propriamente ditos, feitos por médicos ocidentais que viveram na Ásia, como Jakob de Bondt, Buschof, Willem ten Rhijne, Engelbert Kaempfer. Houve então um período de enorme interesse pela acupuntura, que já havia passado quando Dabry de Thiersant publicou em 1863 "A Medicina dos Chineses", citando inclusive trechos do "Da Cheng".

Talvez por causa da presença francesa na Indochina, somente na França ainda encontraríamos algum interesse esporádico em acupuntura, até que Soulié de Morant publicou "A Acupuntura Chinesa". Soulié de Morant tentou despertar o interesse médico pela acupuntura, porém o fato de não ser médico contribuiu para uma reação negativa por parte da comunidade científica da época.

Alguns dos termos empregados por ele, como "energia", "meridianos", permanecem em uso até hoje em algumas escolas ocidentais de acupuntura.

Depois, surgem os trabalhos de Chamfrault, e Niboyet, médicos franceses pioneiros, além de Nguyen van Nghi, médico vietnamita que vive na França.
O interesse da comunidade médica foi finalmente aceso quando houve a notícia de que o jornalista americano James Reston foi tratado com acupuntura, e de que na China a acupuntura era usada como analgesia em cirurgias. Várias clínicas de dor crônica passaram a usá-la como terapia, e com o despertar do movimento alternativo, mais e mais médicos passaram a se interessar pela acupuntura.

Acupuntura

A palavra "acupuntura" origina-se do latim, sendo que acus significa "agulha" e punctura significa "puncionar". A acupuntura se refere, portanto, à inserção de agulhas através da pele nos tecidos subjacentes, em diferentes profundidades e em pontos estratégicos do corpo para produzir o efeito terapêutico desejado.

A acupuntura faz parte do atendimento em Medicina Tradicional Chinesa. Para saber mais sobre Medicina Tradicional Chinesa clique aqui.

O que pode-se tratar com acupuntura

Sistema Músculo-Esquelético e Reumatologia

Dores ósteo-musculares, patologias miofasciais, tendinites, bursites, LER/DORT, fibromialgia, distensões musculares, coadjuvante em fraturas, dores crônicas pós-cirúrgicas, coadjuvante nas patologias do colágeno incluindo Lúpus (nas formas sistêmica e discóide), artrite reumatóide, doença de reiter, Síndrome de Sjogrem, amiloidose, cervicalgias, dorsalgias, lombalgias.

Sistema Genito-Urinário

Impotência; coadjuvante na infecção urinária, cólica nefrética; coadjuvante em orquite aguda e crônica; coadjuvante em prostatite, distúrbios menstruais (alterações de ciclo, hemorragias, amenorréia, dismenorréia); coadjuvante em anexites e miometrites, alterações benignas da mama, miomas, dor pélvica crônica, leucorréias persistentes, hipoalgesia da dor de parto, indução de trabalho de parto, náuseas e vômitos da gravidez, parto prematuro.

Oncologia

Coadjuvante, diminuindo a dor e melhorando as condições do sistema imunológico.

Sistema Circulatório

Hipertensão arterial essencial, arritmias supra-ventriculares; coadjuvante nas varizes de membros inferiores.

Sistema Respiratório

Asma, bronquite, infecção de vias aéreas superiores, enfisema pulmonar, amiloidose pulmonar; coadjuvante nas infecções agudas e crônicas.

Sistema Digestivo

Dispepsias, esofagite de refluxo; coadjuvante em úlcera péptica e gastrite; coadjuvante em moléstia de Crohn e retocolite ulcerativa; coadjuvante em diarréias agudas e crônicas; coadjuvante em hepatites, sintomático na cólica biliar.

Sistema Nervoso

Diminuição de memória, cefaléias, ansiedade, depressão; coadjuvante nas patologias degenerativas como esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica, miastenia gravis, acidente vascular verebral (AVC).

Sistema Endócrino

Hipotireoidismo, hipertireoidismo, alterações de ciclo menstrual.

Perguntas Frequentes

Posso misturar outros tratamentos com a acupuntura?

Sim, é possível associar a acupuntura a outros tratamentos. Fisioterapia, remédios alopáticos, psicoterapia, homeopatia entre outros tratamentos são beneficiados pela associação com a acupuntura, ocorrendo desde a aceleração e a facilitação de processos terapêuticos até a redução das doses dos remédios utilizados.

O que não se deve fazer após uma sessão de acupuntura?

Mesmo depois da retirada das agulhas, os pontos continuam sendo estimulados por mais ou menos duas horas. Por isso, durante este período, evite molhar os pontos estimulados, ter relações sexuais, tomar bebidas alcoólicas, fazer trabalhos pesados ou comer excessivamente.

As agulhas são descartáveis?

Sim, as agulhas utilizadas são novas e descartáveis.

Uma aplicação de acupuntura é dolorida?

Geralmente não, pois as agulhas são muito finas e existe uma técnica para inserí-las. Nos pontos mais sensíveis é possível apenas sentir uma leve picada como um pequeno choque.

Como funciona e quanto tempo dura um tratamento com acupuntura?

Depende muito de cada caso. Geralmente, problemas físicos tais como dores nos ombros e tendinite levam entre 4 a 6 aplicações. Nos casos crônicos e nos problemas emocionais utilizamos métodos adicionais. A aplicação costuma ser semanal, entretanto em casos mais graves recomendamos a frequência de duas aplicações semanais.

Acupuntura

Acupuntura é o termo usado no Ocidente para referir-se a Chen Chiu, um antigo método de tratamento chinês, que se baseia na estimulação de determinados pontos da pele com agulhas (Chen) e com fogo (Chiu).

Chen Chiu, estritamente dito, é o nome das técnicas que se traduzem por Acupuntura (do latin: acus = agulha, e puntura = punçar).

A medicina tradicional Chinesa é, a arte de tratar e prevenir doenças e teve sua origem na China há cerca de cinco mil anos. Está baseada no Tao, no Yin/Yang como forças opostas e complementares, presentes em todos os seres e organismos.

Uma de suas técnicas mais conhecidas é assim, a Acupuntura e a Moxa, que chegaram ao Ocidente no início do século XX. Posteriormente vieram a Fitoterapia, a Auriculoterapia, a Quiropuntura, assim como todas as terapias afins como Moxabustão, a Massagem Oriental, as terapias corporais como An Má, Do-In, Quiroprática, Shiatsu, Tui-Ná; e exercícios terapêuticos como Liang Gong, Qi Gong, e Tai Chi Chuan.

Yin Yang

O que é Acupuntura

A Acupuntura trata as doenças por meio de agulhas, que inseridas em determinados lugares do corpo (pontos de Acupuntura) estimulam o aumento do fluxo da energia Ki, e aplicando certos meios de manipulação, pode curar uma enfermidade, isto é, reequilibrar o órgão ou área em desequilíbrio.

A Acupuntura Chinesa tem, demonstrado nos últimos 5.000 anos, sua eficiência nos tratamentos de alívio das dores em geral (tanto crônicas como agudas).

Como a técnica é feita?

A técnica em si consiste em estimular certas regiões anatômicas, como já dissemos denominadas pontos de acupuntura. Os pontos de energia podem ser ativados por estímulos físicos tais como: dedo, esfera metálica, calor, eletricidade, magnetismo, cor, laser, esparadrapo e agulha, que ainda é o instrumento mais conhecido, simples, prático e quase indolor, visto que as agulhas de acupuntura são muito finas e a introdução na pele é feita através de técnicas especiais, permanecendo no corpo por um período médio de 20 a 40 minutos.

Técnica de Acupuntura

Além do corpo físico, os acupunturistas consideram a existência do Ki (energia), que circula através de canais invisíveis chamados meridianos, os quais formam uma rede interligando os pontos de Acupuntura, os órgãos, os tecidos e todas as células. As doenças são observadas e analisadas como disfunções energéticas onde o Ki (energia) não circula fluentemente pelos meridianos, surgindo então áreas congestionadas com excesso, e outras deficientes.

Acupuntura causa dor?

Uma das perguntas mais comuns que nos fazem é se a Acupuntura é dolorosa, se o paciente sente dor na inserção das agulhas. A resposta que passamos é através da explicação de que as agulhas mais usadas têm mais ou menos a espessura de um fio de cabelo, cerca de 10 vezes mais fina que uma agulha comum de injeção. Assim, explicamos que, a aplicação das agulhas costuma ser quase totalmente indolor.

A avaliação energética é realizada através do relato do cliente, momento em que o terapeuta é um ouvinte atencioso a cada informação que lhe seja passada, seguido este diálogo do exame da língua, da palpação do corpo, da análise do pulso radial, e avaliação do estado geral, e da fisiognomonia.

Os acupunturistas utilizam-se também dos recursos da Lei dos 5 Elementos (Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água), que envolvem não apenas o ser humano, mas os alimentos, a natureza, e tudo o que nos cerca. Do micro ao macrocosmo os chineses desenvolveram uma interpretação do estado do ser humano e das coisas que o cercam.

5 elementos

Partindo do princípio de que: - "Quantidade afeta qualidade em qualquer coisa na vida", podemos entrar em desequilíbrio energético, seja por falta ou por excesso de energia nos órgãos que compõe nossa natureza física.

Os antigos chineses observaram 12 "órgãos" que são responsáveis pela saúde quando estão em equilíbrio, são eles:

Pulmões/Intestino grosso (Metal)

Estômago/Baço-pâncreas (Terra)

Circulação-Sexo/Triplo aquecedor (Fogo)

Coração/Intestino delgado (Fogo)

Bexiga/Rins (Água)

Vesícula biliar/Fígado (Madeira)

Por cada um destes "órgãos" circula a energia Ki deslocando-se, no nível subcutâneo, através de linhas preferenciais denominadas meridianos. Esses canais imateriais conduzem a energia diferenciada em variadas combinações Yin-Yang, cujos fluxos se intercambiam alternante e complementam no corpo, constituindo um sistema responsável pela defesa, regulação e ressonância do organismo em relação às influências cósmicas.

Saúde implica, em primeiro lugar, na circulação adequada da força vital através de canais livres e desimpedidos.

Cada meridiano é formado por um número determinado de pontos que transmitem a energia em sentido e ordem sempre constantes. Existem vários tipos de meridianos conforme a função que desempenham, sendo 14 considerados importantes - 12 meridianos principais (pares e simétricos) e 2 meridianos extras (ímpares). Os demais, destituídos de pontos próprios, são os meridianos virtuais que somente se manifestam nos estados patológicos e os meridianos de ligação denominados Vasos Secundários.

A acupuntura, desde que praticada por um profissional capacitado é um método seguro e sem efeitos colaterais.

Hoje em dia, com o uso de agulhas descartáveis ou individuais, o risco de contaminação praticamente desaparece. Outro dado importante é que a agulha utilizada é do tipo fechada, o que impossibilita o acúmulo de qualquer substância no seu interior.

Em geral, o tratamento tem a duração de 10 a 20 sessões. O intervalo entre as sessões depende da intensidade dos sintomas. Nos problemas crônicos, as sessões geralmente são semanais. Os resultados já podem começar a aparecer desde a primeira sessão ou então há uma melhora progressiva.

A colocação das agulhas é feita por todo o corpo, nos pontos ao longo dos meridianos. As sessões são feitas com a pessoa deitada, mas pode ser feita também com o paciente sentado. O tempo de cada sessão em média dura cerca de 60 minutos, podendo ser aumentadas ou diminuídas em função do estado da pessoa.

Quais as vantagens da acupuntura?

A Acupuntura pode tratar inúmeras doenças e aliviar muitas dores e deve ser enfatizado que também é um tratamento preventivo, ou seja, a Acupuntura pode ser aplicado no indivíduo sadio, para estimular seu sistema imunológico, suas energias, permitindo assim prolongar seus períodos de bem-estar e de saúde. Assim, explicamos que a circulação harmoniosa das correntes energéticas pelo corpo impede o aparecimento das doenças.

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Tratamentos

Nos tratamentos da coluna vertebral, tem auxiliado cada vez mais os pacientes portadores de distúrbios diversos, seja no desconforto em relação a dor como em reequilíbrio da postura física.

Nos casos de estresse, ansiedade, depressão, é um excelente recurso, pois aumenta e equilibra o fluxo de energia, trazendo bem estar, alívio e disposição em geral.

Entre os tratamentos que podem ser tratadas com a acupuntura, destacamos também as desarmonias funcionais e as causadas por intoxicação alimentar, sedentarismo, má postura e desequilíbrios emocionais.

De uma forma geral os quadros que estão numa fase de desequilíbrio energético, apresentam melhoras e benefícios quando tratadas pela acupuntura. Estes quadros se não corrigidos podem levar à instalação de doenças lesionais e dores.

A acupuntura é plenamente compatível com outros tratamentos. Podendo ser feita isoladamente ou concomitantemente a outros tratamentos, como homeopatia, fitoterapia, florais e mesmo os tratamentos da medicina convencional. Na prática, observa-se que a acupuntura atua no sentido de diminuir a duração dos outros tratamentos.

Reconhecida e recomendada pela "O.M.S." (Organização Mundial de Saúde) tem ajudado cada dia a um maior número de pacientes tanto no Oriente como aqui no Ocidente.

Acupuntura

Acupuntura ou Acupunctura é um método de tratamento chamado complementar de acordo com a nova terminologia da OMS - Organização Mundial da Saúde.

Atribui-se o nome Acupuntura, a um jesuíta europeu que retornando da China, no século XVII, adaptou os termos chineses Zhen Jiu, juntando as palavras latinas Acum (que significa agulha) e Punctum (picada ou punção).

A tradução literal do têrmo chinês, no entanto, é bem diferente. O correto seria Zhen (agulha) e Jiu (moxa).

A moxa ou mogusa (termo de origem japonesa) é confeccionada com as folhas secas da planta Artemisia sinensis, usada na moxibustão. Assim como a ação da agulha pode interferir na energia do meridiano, a queima da moxa sobre a pele pode conduzir resultados perceptíveis sobre a energia nos meridianos.

É, na verdade, uma tradução imprópria que causa a impressão de que o terapeuta só trabalha com agulhas. Os pontos e meridianos também podem ser estimulados por outros tipos de energias.

Pesquisadores discutem sobre elementos que poderiam alterar a energia nos meridianos, assim como debatem até a onde pode chegar a ação destes mesmos estímulos.

Atualmente no Brasil há uma ampla discussão de caráter político sobre se esta prática deve ser praticada apenas por médicos, se pode ser praticada também por outros profissionais habilitados de nível superior, como dentistas, biomédicos e psicológos, ou se pode ser também praticada por profissionais especializados nesta arte mas sem formação acadêmica.

Pontos de acupuntura (Dinastia Ming)
Pontos de acupuntura (Dinastia Ming)

Funcionamento da acupuntura

Aplicação de agulhas de acupuntura: na visão tradicional, a agulha é um veículo para a própria energia vital do terapeuta interagir com a do paciente
Aplicação de agulhas de acupuntura: na visão tradicional, a agulha é um veículo para a própria energia vital do terapeuta interagir com a do paciente

Para a visão geral ocidental, os mecanismos utilizados pela prática acupunturista ainda não estão satisfatóriamente explicados.

Na tentativa de satisfazer alguns conceitos acadêmicos, a acupuntura na linguagem ocidental é um método de estimulação neurológica, com efeitos sobre neurotransmissores, neuromoduladores e reação do sistema imunitário (pró e anti-inflamatória).

Históricamente, a primeira propriedade da acupuntura que foi capaz de chamar a atenção acadêmica, foi justamente no domínio da dor. Esquemas foram levantados para associar liberações de endorfinas causadas por estímulos de agulhas sobre nervos específicos.

Durante algum tempo, muitos pesquisadores duvidam da aplicação da acupuntura fora do tratamento da dor e nas funções do sistema nervoso autônomo. Os mecanismos da terapêutica da acupuntura, ainda não estão claramente associado aos mecanismos fisiológicos sob os domínios da ciência atual.

Ainda hoje, apesar do espaço que ganha nos hospitais e clínicas médicas, alguns estudiosos aceitam a "contra-gosto" a atuação terapêutica da acupuntura no tratamento da dor e nas disfunções do sistema nervoso autônomo.

Entretanto, não é possível ignorar os testes realizados com medotologias largamente aceitas no meio acadêmico, assim como não é possível ignorar uma cirurgia realizada sob a anestesia produzida pela simples punção de agulhas.

Visão tradicional chinesa

Bem diferente é a explicação que podemos colher no berço da acupuntura, a milenária China.

A visão tradicional da medicina chinesa está profundamente ligada a teorias baseadas no Taoísmo, sobre energias conhecidas pela dualidade Yin/Yang, sobre meridianos e outros conceitos bastante "exóticos" para a ciência médica ocidental. Contudo, contribuições da Antropologia, mais específicamente da Antropologia Médica, vem facilitando a interpretação destes à luz da interpretação lógica das explicações mítico-religiosas compreendidas como sistemas etnomédicos capazes de dar respostas às demandas por cuidados de saúde de uma determinada população.

Acupuntura aplicada com o auxílio da eletricidade
Acupuntura aplicada com o auxílio da eletricidade

O Yin e o Yang são aspectos opostos de uma mesma energia. No corpo do homem existe um equilíbrio energético que pode ser alterado por diversos tipos de influências, como alimentar, comportamental e muitas outras.

A energia deve percorrer os meridianos e sua falta ou seu excesso podem ser reequilibrados através da manipulação de pontos determinados dos meridianos.

Existem muitas formas de diagnóstico na medicina tradicional chinesa. Algumas delas são a pulsação, a observação e aspectos da língua, a cor e aspectos da pele, <...> Um médico chinês costuma dizer que não se deve olhar apenas o paciente, mas escutá-lo, tocá-lo, cheirá-lo, provar sua urina e conhecer as suas fezes.

Uma consulta baseada no modelo tradicional chinês pode levar de vários minutos a algumas horas. O terapeuta questiona vários aspectos da vida (incluindo sobre a infância e expressão das emoções), da alimentação e costumes.

Ciclo de geração dos cinco elementos: Fogo gera Terra, Terra gera Metal, Metal gera Água, Água gera Madeira, Madeira gera Fogo..
Ciclo de geração dos cinco elementos: Fogo gera Terra, Terra gera Metal, Metal gera Água, Água gera Madeira, Madeira gera Fogo..

.A natureza das explicações tradicionais da medicina chinesa não tornam essa prática essencialmente distinta de outros sistemas etno - médicos, exceto porém por sua notável semelhança com a medicina hipocrática - a quem se atribui a origem da moderna medicina cosmopolita. O estudo de sua história revela seu rompimento com algumas tradições "mágicas" e incorporação do conhecimento empírico proveniente de cuidadosas observações, consolidado no que vem sendo chamado do paradigma do Yin - Yang e dos 5 elementos descrito nos livros clássicos para os orientais ou documentos etnológicos brutos para a antropologia estrutural. Entre os livros clássicos o mais conhecido é, sem dúvida o "Livro do Imperador Amarelo" cujo exemplar mais antigo foi encontrado em um túmulo da dinastia Han (Fu Weikang).

História da acupuntura

Atribui-se a China, a criação da acupuntura. Outros países do oriente, também têem em seus recursos terapêuticos a acupuntura, como Japão, Coréia e Vietnã.

Os primeiros registros sobre a prática da acupuntura datam de mais de 6 mil anos na China, contudo, a primeira descrição histórica da acupuntura como terapêutica é feita por Ssu Ma Ch'ien no "Shih Chi", 90aC.

O paradigma da Medicina Chinesa interpretava o funcionamento do organismo humano por sua comparação com fenômenos naturais, como o fogo, vento, umidade, etc. Na visão daqueles médicos antigos, a intervenção com agulhas permitiria alterar o comportamento de elementos externos, (Já que as patologias também eram interpretadas como invasão do corpo por elementos como o Frio, vento ou umidade) e dos fluidos e energia (Qi) do organismo.

Em 1255, com a "Viagem à Terra dos Mongóis", William de Rubruk já fazia referências à Acupuntura.

Monges Jesuítas, a partir do século XVI, cunharam o termo, em língua portuguesa, que significa "Punção com agulhas" perpetuando o erro de tradução.

Mas foi a partir de 1971, com o relato do efeito da acupuntura no tratamento das dores pós-operatórias do jornalista James Reston e após 1972, com a visita do presidente Norte-americano Richard Nixon, à China, que a Acupuntura passou a ser estudada pelo método científico, no Ocidente.

Algumas datas da história da acupuntura

Além de datas específicas de conquistas da arte médica, a invenção da escrita e metalurgia modificaram os rumos e evolução dessa técnica no contexto da Medicina Tradicional Chinesa.

4115 – 4365 aC. - Yang Shao, parentesco matrilinear; Lung Shao, parentesco patrilinear (Eliade)- condição essencial para entender as regras avô-filho-neto no estudo dos 5 elementos.

2000 aC - Fundição do Bronze / Dinastia Chang (Blunden; Elvin,)

1400 aC. - Descoberta do álcool na dinastia Sang (1800 aC. – 1100 aC.) No norte da China (Blunden; Elvin)

600 aC. - Cunhagem de moedas de cobre (Zhou) (Blunden; Elvin)

513 aC.- Primeira referência a fundição do ferro (Gernet)

501 a C. - Referência a 4 processos de diagnóstico médico: exame da tez; da língua; auscultação com técnicas da época; exame de pulso e história médica do paciente (Gernet)

479 a C. - Data tradicional da morte de Confúcio (551 – 479) (Gernet; Eliade)

436 a C. - Cálculo do ano solar 365 dias 3, 1/4 (Gernet)

289 a C. - Morte de Mancio discípulo de Confúcio (Gernet)

200 aC. – 0 dC. - Primeira dinastia Han, Consolidação da unificação da escrita (pincel sobre papel); paquímetro graduado em cun; rota da seda – contato com mundo árabe 51aC.; contato com romanos; Doutrina dos 5 elementos e Yin Yang. (Blunden; Elvin; Gernet)

200 aC sec. II aC.- Siderurgia do aço (Gernet)

140 a C. - Primeira obra de alquimia chinesa (Gernet)

160 a C. - Hospitais - controle do ensino médico na corte (Beau)

28 aC. - Início do registro sistemático das manchas solares (Gernet)

0 – 200 dC - Segunda dinastia Han; Primeiros hospitais, que aumentam de número com desenvolvimento do Budismo (Blunden;Elvin; Ronan)

50 - Chegada do Budismo (Blunden; Elvin,)

215-282 - O médico Zhenjiu Jiayijing de Anding – Gansu publica uma síntese e sistematização do nei jing definindo nomes para 348 pontos (Fu weikang)

300 (séc. IV) - Publicação das coletâneas de Ge Gong refere-se a moxa com alho e sal para infecções com pus e diversas ouras indicações em “Receitas para casos urgentes ao alcance da mão” (Fu weikang)

600 - Publicação tipográfica (?) sobre acupuntura (Ronan)

618-917 - Dinastia Tang cria o Instituto de Medicina Imperial (Tai Yi Shu) com departamentos separados de acupuntura, moxabustão e farmacologia (Fu weikang)

624 - Início dos exames sistemáticos controlados pelo estado representado pelo Tai-yi-chou (grande serviço médico) cujo quadro efetivo era de 349 funcionários (Beau)

900 - Impressão com blocos de madeira (Ronan;Blunden;Elvin)

1000 - Impressão c/ tipos móveis (Blunden;Elvin)

1200 - impressão de ilustrações; publicações de trabalhos de botânica (Ronan)

1500 - Hospitais colônias de leprosos (Ronan)

1518-1593 (séc. XVI) - O médico Li Shizhen publica Compêndio de matéria médica (Ben Cao Gang Mu) com recomendações da moxabustão para esquentar os canais e eliminar o frio e umidade e detalhada descrição da farmacopéia até então conhecida reunindo 443 produtos derivados de animais; 1074 substancias vegetais e 354 produtos minerais. (Fu weikang; Beau)

A acupuntura funciona em animais?

Acupuntura e cinomose

A acupuntura tem sido utilizada para o tratamento de distúrbios neurológicos em cães. Normalmente, a eutanásia é indicada em casos de distúrbios neurológicos com conseqüente paralisia de membros posteriores como seqüela de cinomose. Numa tese de mestrado realizada na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), 52 cães acometidos de paralisia de membros posteriores e conseqüente paralisia de membros posteriores, causadas pela cinomose, foram divididos aleatoriamente em três grupos, após uma avaliação neurológica completa.

Destes, 17 cães foram tratados convencionalmente de acordo com a medicina ocidental, incluindo antibióticos, complexos vitamínicos e corticosteróides, quando necessário. Outros 18 cães foram tratados com acupuntura, sem nenhuma estimulação elétrica, e 17 cães não receberam tratamento algum. O tratamento com acupuntura foi realizado semanalmente durante o período de quatro semanas, ao final do qual um novo exame neurológico foi realizado e por meio de escore, comparado ao exame inicial, para análise estatística do efeito dos tratamentos nos diferentes grupos.

Considerou-se cura quando os animais eram capazes de andar novamente e ter uma vida normal, sem se observar seqüelas, tais como incontinência fecal ou urinária e outras. A cura foi observada em nove cães tratados com acupuntura, em apenas um dos cães tratados convencionalmente e em nenhum cão não tratado. Todos os cães tratados com acupuntura sobreviveram, enquanto que três cães tratados convencionalmente e cinco cães não tratados apresentaram óbito neste período de avaliação, demonstrando que o tratamento com acupuntura em pontos pré-estabelecidos apresentou bons resultados para o tratamento de distúrbios neurológicos produzidos pela cinomose em cães.

Acupuntura e sistema reprodutivo

Normalmente, a prostaglandina é utilizada para indução do abortamento em cães. Doses de 0,25 mg/kg duas vezes ao dia ou 0,1 mg/kg três vezes ao dia usualmente produzem abortamento em nove dias. Entretanto, intensos efeitos colaterais tais como hipotermia, taquipnéia, salivação, vômitos e convulsões são freqüentemente observadas. A administração de 0,05 mg/kg ou 0,1 mg/kg de dinoprost a cada 12 horas no ponto Bai Hui, localizado no espaço lombosacro, em quatro cadelas com período de gestação entre 32 e 45 dias, induziu abortamento em todas elas, em 3,5 e 6,5 dias respectivamente.

A utilização deste mesmo produto na dose de 0,05 mg/kg a cada 12 horas em quatro cadelas com período de gestação mais adiantado, entre 50 e 55 dias, induziu o abortamento em apenas duas cadelas no terceiro dia de aplicação. A injeção de 1 ml de água destilada a cada 12 horas neste mesmo acuponto, em quatro cadelas com período de gestação entre 45 e 50 dias, não surtiu efeito algum, já que o parto ocorreu dentro do período previsto.

Observou-se nestes animais tratados com subdose de prostaglandina no acuponto Baihui salivação intensa, taquipnéia e redução da temperatura. Tais efeitos ficam mais acentuados dez minutos após aplicação, com retorno ao normal após 30 minutos. A aplicação de 0,1 mg/kg de prostaglandina no gradil costal produziu além dos efeitos colaterais descritos anteriormente, vômito e defecação, demonstrando que a injeção de subdose de prostaglandina no acuponto Bai Hui foi efetiva para indução de abortamento em cadelas, com a vantagem de minimizar os efeitos colaterais.

Acupuntura e analgesia

A eletroacupuntura tem sido utilizada para produzir hipoalgesia para realização de diversos procedimentos cirúrgicos nas espécies domésticas. A anestesia convencional produz depressão neurológica e cardiorrespiratória fetal e materna, levando a uma alta taxa de mortalidade neonatal. O grau de depressão neurológica e cardiorrespiratória foi avaliado em cães neonatos, após cesariana, cujas cadelas foram tranqüilizadas com levomepromazina (Neozine, Rhodia), nalbufina (Nubaim, Rhodia) e midazolam (Dormonid, Roche) e divididas em dois grupos.

Seis cadelas foram submetidas à eletroacupuntura nos pontos E36, IG4, VG1 e Bai Hui, utilizando-se estímulo elétrico até 9 v, freqüência f1 de l00 Hz e f2 de 200 Hz e em seis a indução da anestesia foi realizada com quetamina (Ketalar, Parke Davis) e a manutenção com enfluorano (Etrane, Abbott). As freqüências cardíaca e respiratória foram maiores nos filhotes de cadelas submetidas a eletroacupuntura e os reflexos neurológicos também tenderam a ser maiores nestes mesmos neonatos.

Duas de seis cadelas necessitaram uma suplementação de l a 2 mg/kg de quetamina numa ocasião durante a anestesia, demonstrando que há variação individual no tocante ao efeito analgésico e que hipoalgesia pode ocorrer ao invés de analgesia. A menor depressão neurológica e cardiorrespiratória em neonatos após cesariana é uma vantagem potencial do uso da acupuntura, quando comparado à anestesia convencional, mesmo necessitando uma complementação ocasional de fármacos para obtenção de uma analgesia satisfatória.

Acupuntura e resposta imune

As concentrações séricas de anticorpos, proteína total, albumina, globulina, relação albumina/globulina, hemograma e linfócitos T e B foram mensuradas em cães vacinados contra a raiva e submetidos ou não à acupuntura nos pontos E36, IG11 e VG14. Observou-se um maior número de linfócitos nos animais tratados com acupuntura.

O efeito da acupuntura e moxabustão na resposta imuneinflamatória à picada do carrapato Rhipicephalus sanguineus foi estudada em cães e cobaios respectivamente. O uso de moxabustão prolongou a reação de hipersensibilidade tardia e reduziu o número de eosinófilos nos locais de teste de hipersensibilidade cutânea, quando comparado com cobaios não tratados. A acupuntura produziu uma redução do tamanho da reação induzida pelo teste de hipersensibilidade imediata a antígenos de carrapatos nos cães, quando comparada a animais não tratados, mostrando que tanto a moxabustão como a acupuntura interfere nas reações de hipersensibilidade.

Acupuntura e sistema digestório

O efeito da acupuntura na prevenção de lesões de mucosa gástrica produzidas pela indometacina (Indocid, Prodrome) foi investigado em ratos. Então, 48 ratos foram submetidos a jejum por 24 horas, tratados com indometacina e divididos em três grupos. Foram submetidos à eletroacupuntura (1 mV, 2Hz por 30 min) 16 animais, nos acupontos E36, E25 e VC12. Outros 16 foram submetidos à acupuntura sham (pontos falsos ao lado de pontos verdadeiros) e 16 não foram tratados.

Os animais foram submetidos a eutanásia seis horas após e o estomago foi removido. A incidência de hemorragia, úlceras e outras lesões na mucosa gástrica foi de 34,8% e 61,3% menor nos animais tratados com acupuntura sham e acupuntura verdadeira, respectivamente, quando comparado aos animais controle sem tratamento, demonstrando que a acupuntura pode prevenir lesões da mucosa gástrica produzidas pela indometacina em ratos. A incidência de distúrbios gastrintestinais em cães é alta e os fármacos empregados para aumentar a motilidade intestinal produzem efeitos colaterais intensos. Cinco cães foram submetidos à eletroacupuntura (4,5 v; 5 Hz), por 30 minutos, nos pontos E36, IG4 e B25. Os mesmos cães foram utilizados como controle, sendo submetidos à eletroacupuntura sham (falsa) em pontos localizados ao lado dos pontos verdadeiros. O intervalo entre a realização da eletroacupuntura verdadeira e falsa foi de uma semana, utilizando-se uma ordem aleatória para os tratamentos.

O tratamento foi realizado entre as 18 e 20 horas na moradia do animal, sem alterar o manejo e o tipo e quantidade da ração oferecida. Foi misturado óxido de cromo na ração duas horas antes do tratamento, mensurando-se a taxa de excreção do mesmo por um período de 60 horas. A freqüência de defecação e a taxa de excreção de óxido de cromo foi significativamente superior (p<0,03) em todos os cães submetidos a eletroacupuntura, comparativamente à eletroacupuntura falsa, demonstrando que a eletroacupuntura produz um aumento de peristaltismo em cães.

Um outro estudo confirmou os resultados acima. Seis cães anestesiados com pentobarbital sódico foram submetidos à entubação gástrica, seguido da administração de ferrita em pó. Em seguida, a motilidade gástrica foi avaliada por meio do equipamento biossusceptômetro, com o sensor posicionado na região epigástrica, para detecção do movimento dos traçadores magnéticos administrados pela sonda. A pressão intragástrica foi mensurada por um tubo com balonete inserido no estomago e acoplado a um monitor de pressão. Realizou-se acupuntura manual, seguida de eletroacupuntura nos pontos E36 e IG4. A freqüência de movimentos gástricos aumentou 23 vezes e a pressão intragástrica aumentou 53 vezes após a acupuntura/eletroacupuntura, quando comparada aos valores basais, mostrando que a acupuntura/eletroacupuntura pode ser utilizada com sucesso para aumentar o peristaltismo gástrico em cães.

acupuntura

...aposto que ,quando se submetem a um tratamento de canal, a única agulha que querem ver é uma injeção de novocaína. --Cecil Adams

A acupuntura é uma técnica medicinal chinesa de manipulação do chi (ch'i ou qi) para equilibrar as forças opostas do yin e yang. Supõe-se que o chi, uma suposta "energia" que permearia todas as coisas, fluiria através do corpo através de 14 caminhos principais chamados meridianos. Quando o yin e o yang estão em harmonia, o chi flui livremente pelo corpo, e a pessoa tem saúde. Quando a pessoa se sente mal, está doente ou ferida, acredita-se que haja uma obstrução do chi ao longo de um dos meridianos. A acupuntura consiste em inserir agulhas através de pontos específicos do corpo, supostamente removendo obstruções do chi prejudiciais à saúde, logo restaurando a distribuição do yin e yang. Às vezes as agulhas são giradas, aquecidas, ou mesmo estimuladas com correntes elétricas fracas, ultra-som, ou luz de certos comprimentos de onda. Mas, não importando a forma como ela seja feita, pesquisas científicas ao longo dos últimos vinte anos não conseguiram demonstrar que a acupuntura seja eficaz contra qualquer doença.

Uma das variações da acupuntura tradicional é a chamada auriculoterapia ou acupuntura auricular. É um método de diagnóstico e tratamento baseado na crença não comprovada de que a orelha seria o mapa dos órgãos do corpo. Um problema num órgão como o fígado deveria ser tratado cravando-se uma agulha num determinado ponto da orelha, que se supõe ser correspondente àquele órgão. Idéias similares, segundo as quais uma parte do corpo seria um mapa dos órgãos, são sustentadas pelos iridologistas (a íris é o mapa do corpo) e reflexologistas (o pé é o mapa do corpo). Uma variação da auriculoterapia é a grampopuntura, um método de tratamento que coloca grampos em pontos-chaves da orelha na esperança de se operar maravilhas, como ajudar as pessoas a parar de fumar. Não há nenhuma prova científica dando respaldo a qualquer dessas teorias ou práticas.

A acupuntura é usada na China há mais de 4.000 anos para aliviar dores e curar doenças. A medicina tradicional chinesa não é baseada no conhecimento da fisiologia, bioquímica, nutrição e anatomia modernas, ou qualquer dos mecanismos conhecidos de cura. Nem é baseada no conhecimento da química celular, circulação sangüínea, funções nervosas, ou na existência dos hormônios ou outras substâncias bioquímicas. Não há nenhuma correlação entre os meridianos usados na medicina tradicional chinesa e a disposição real dos órgãos e nervos no corpo humano. O National Council Against Health Fraud, Inc. (NCAHF) (agência privada, sem fins lucrativos e voluntária, com enfoque na má informação, fraude e charlatanismo na área de saúde, assim como em problemas de saúde pública) observa que, dos 46 jornais médicos publicados pela Associação Médica Chinesa, nenhum é dedicado à acupuntura ou outras práticas médicas chinesas tradicionais. Apesar disso, estima-se que algo entre 10 e 15 milhões de norte-americanos gastem aproximadamente 500 milhões de dólares por ano com acupuntura para qualquer coisa, desde aliviar dores e tratar dependência de drogas a combater a AIDS.

A escola de medicina da UCLA possui um dos maiores cursos de treinamento em acupuntura dos Estados Unidos para médicos licenciados. O programa de 200 horas prepara cerca de 600 médicos por ano. Segundo a Academia Americana de Acupuntura Médica, aproximadamente 4.000 médicos nos EUA possuem treinamento em acupuntura. *

A despeito da falta de respaldo científico, a acupuntura é usada no tratamento da depressão, alergia, asma, artrite, problemas de bexiga e rins, constipação, diarréia, resfriado, gripe, bronquite, vertigem, tabagismo, fadiga, distúrbios ginecológicos, dores de cabeça, enxaquecas, paralisia, pressão alta, TPM, ciática, disfunção sexual, stress, derrame, tendinite e problemas de visão. Assim, parece que, enquanto a China está avançando no tratamento científico da doença, muitos nos EUA e outras partes do mundo estão retrocedendo, procurando respostas metafísicas para seus problemas físicos.

Em março de 1996, o Federal Drug Administration (FDA) classificou as agulhas de acupuntura como instrumentos médicos para uso geral por profissionais treinados. Até então, as agulhas de acupuntura eram classificadas como instrumentos médicos Classe III, o que significa que sua segurança e utilidade eram tão incertas que podiam ser usadas apenas em projetos aprovados de pesquisa. Devido ao seu status "experimental", muitas companhias de seguros, assim como o Medicare e o Medicaid, tinham se recusado a cobrir a acupuntura. Essa nova designação significou a maior prática da acupuntura, assim como maior número de pesquisas sendo feitas usando agulhas. Também significou que as companhias de seguros podem não conseguir evitar ter de cobrir tratamentos inúteis ou altamente questionáveis por acupuntura para os mais variados males. Apesar disso, Wayne B. Jonas, diretor do Escritório de Medicina Alternativa do Instituto Nacional de Saúde, em Bethesda, MD, afirmou que a reclassificação das agulhas de acupuntura é "uma decisão muito sábia e lógica". O Escritório de Medicina Alternativa é bastante favorável (ou seja, disposto a gastar boas somas do dinheiro dos contribuintes) a novos estudos sobre a eficácia da acupuntura. No entanto, devido à natureza da mesma, o que vai ser testado nos EUA e outros países ocidentais não é a acupuntura, mas sim algo bem mais limitado. Estaremos testando a eficácia de se espetar agulhas em músculos. Se essa ação abaixar a pressão sangüínea, por exemplo, isso não será uma validação da acupuntura porque a acupuntura tradicional chinesa não é uma teoria científica, e sim metafísica, e teorias metafísicas não podem ser testadas empiricamente. De que forma uma agulha física afeta uma entidade metafísica como o chi provavelmente não vai ser um problema enfocado pelos que estiverem testando a acupuntura. Naturalmente, o lado positivo disso é que a acupuntura tradicional também não pode ser refutada. Temos uma perfeita harmonia entre a prova e a refutação: ambas são impossíveis.

Talvez a defesa mais freqüentemente oferecida pelos defensores da acupuntura, tanto no ocidente como no oriente, é a defesa pragmática: a acupuntura funciona! O que isso realmente quer dizer? Certamente não significa que cravar agulhas no corpo de alguém desbloqueie o chi. No máximo, significa que ela alivie alguma condição médica dolorosa. O NCAHF emitiu um parecer no qual afirma que "Pesquisas nos últimos vinte anos não conseguiram demonstrar que a acupuntura seja eficaz contra qualquer doença" e que "os efeitos percebidos da acupuntura se devem provavelmente a uma combinação de expectativa, sugestão, contra-irritação, reflexos condicionados e outros mecanismos psicológicos..." Em resumo, a maior parte dos efeitos benéficos percebidos na acupuntura se devem, provavelmente, ao poder da sugestão e ao efeito placebo.

A área em que os defensores da acupuntura mais comumente alegam sucesso é o controle da dor. Estudos mostraram que muitos pontos da acupuntura são mais ricos em terminações nervosas que as áreas da pele ao redor. Há algumas pesquisas que indicam que a introdução de agulhas em certos pontos afeta o sistema nervoso e estimula a produção pelo corpo de substâncias químicas analgésicas, como as endorfinas e encefalinas, e disparam a liberação de certos hormônios neurais, inclusive a serotonina. Outra teoria sugere que a acupuntura bloqueie a transmissão de impulsos dolorosos de partes do corpo ao sistema nervoso central. Essas teorias a respeito de estimulação química e bloqueio de sinais nervosos são empiricamente testáveis. São expressas nos termos da visão científica ocidental do sistema anatômico e neurológico do corpo. Mesmo assim, entretanto, a maioria das provas da eficácia da acupuntura são idênticas às da maioria das que temos para qualquer prática de saúde dita "alternativa": são puramente depoimentos. Infelizmente, para cada relato de alguém cuja dor foi aliviada pela acupuntura, há outro relato de alguém cuja dor não foi. Para algumas, o alívio é real, mas de curta duração. O tratamento é semelhante à anestesia. O paciente tem que ser auxiliado para caminhar depois, levado para casa, sente-se bem por algum tempo, então a dor retorna em um dia ou dois. Tudo o que sabemos com certeza no momento é que introduzir agulhas em pessoas em vários pontos tradicionais da acupuntura muitas vezes parece ser eficaz no alívio da dor. No entanto, a maioria dos pesquisadores da dor concordam que em 30% a 50% dos indivíduos a dor melhora por sugestão ou efeito placebo, não importando qual seja o tratamento.

Há outras dificuldades que qualquer estudo da dor encontra. Não só a medição da dor é inteiramente subjetiva como os acupunturistas avaliam o sucesso do tratamento de forma quase que inteiramente subjetiva, confiando em suas próprias observações e relatos de pacientes, ao invés de em testes objetivos de laboratório. Além disso, muitos indivíduos que confiam totalmente na acupuntura (ou toque terapêutico, reiki, iridologia, meditação, suplementos minerais, etc.) freqüentemente fazem várias mudanças em suas vidas de uma só vez, tornando assim difícil isolar os fatores causais significativos num estudo controlado.

Se estudos controlados demonstrarem que espetar agulhas em pessoas realmente ajuda mesmo os viciados em drogas ou cura a AIDS, será que os acupunturistas poderão cantar vitória? Será que dirão que o chi flui pelos mesmos caminhos que o sangue e os impulsos nervosos, que existe um universo paralelo ao físico, um tipo de harmonia pré estabelecida entre chi/yin/yang e o corpo físico? Teoricamente, o que quer que seja demonstrado com relação à liberação de endorfinas, por exemplo, pode ser também atribuído ao chi, a despeito da inutilidade e do caráter supérfluo dessa teoria. Mas, e se for constatado que espetar agulhas nas pessoas não reduz a pressão alta ou cura a bronquite? Isso será considerado prova de que o chi é uma quimera?

Alguns dos estudos da acupuntura apoiados pelo Escritório de Medicina Alternativa dos Institutos Nacionais de Saúde tentam imitar os estudos tradicionais com grupos de controle, mas nenhum estudo controlado pode testar a presença do chi, yin, yang, ou qualquer outra entidade metafísica. Foram tentados alguns estudos em que pacientes eram aleatoriamente divididos entre os que iriam receber tratamento com acupuntura e os que receberiam "acupuntura simulada". Esse último tratamento consistia na inserção de agulhas de acupuntura em pontos "errados" (ou seja, nenhum dos 500 pontos tradicionais). Parece muito ingênuo comparar pessoas espetadas com uma agulha num ponto "certo" contra um ponto "errado", a não ser que já se saiba que espetar as pessoas possa ajudar a aliviar a dor e que só se esteja tentando encontrar o lugar correto para espetá-las. Os pontos falsos foram considerados análogos a um tratamento placebo, mas será que são mesmo? Se resultados melhores forem atingidos espetando-se os pontos tradicionais, isso confirma a acupuntura tradicional? Claro que não. O que um resultado como esse mostra é que após 4.000 anos os chineses descobriram os melhores lugares a serem cravados para se aliviar a dor, etc. Mas nenhum estudo como esses revelará se o chi foi desbloqueado, ou se o yin e yang estão em desarmonia. Estudos de controle usando medições objetivas de sucesso no tratamento podem determinar, no entanto, quanto do sucesso da acupuntura se deve a nada mais que a avaliação subjetiva pelas partes interessadas. Esses estudos poderiam também determinar se qualquer efeito da acupuntura é de curto ou longo prazo.

Para concluir, será que se está fazendo algum mal às pessoas que se submetem à acupuntura? Bem, além daquelas que não estão sendo tratadas de doenças e lesões que a medicina moderna poderia tratar eficazmente, há alguns outros riscos. Têm havido relatos de perfurações de pulmão ou bexiga, agulhas quebradas, e reações alérgicas a agulhas contendo substâncias outras que não o aço cirúrgico. A acupuntura pode ser prejudicial ao feto no início da gestação, já que pode estimular a produção do hormônio adrenocorticotrópico (ACTH) e da oxitocina que afeta o parto. E, é claro, há sempre a possibilidade da infecção por agulhas não esterilizadas.

Acupuntura

Acupuntura na odontologia

Conhecida e desenvolvida pelos chineses em tempos remotos, tornou-se hoje uma opção a mais de terapia, em que o profissional, além de adquirir novos conhecimentos, encontra um campo aberto a novas pesquisas na área de Saúde.

A acupuntura tem se destacado devido ao grande número de trabalhos científicos publicados recentemente, que muito têm contribuído para a sua compreensão. Um grande número de profissionais já aderiram à prática, em razão da sua eficácia. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cada ano são realizados de 9 a 12 milhões de tratamentos por meio da Acupuntura, segundo estimativa da FDA (Food and Drug Administration).

Por Acupuntura entende-se o conjunto de conhecimentos teórico-empíricos que visa à terapia e à cura das doenças através de aplicação de agulhas e de moxas, além de outras técnicas. Visando estimular a sua prática, a própria OMS, através de seu diretor geral, em 1990, na França, oficializou amplo apoio à Acupuntura. No Brasil, desde 1995, o Conselho Federal de Medicina reconheceu a acupuntura como uma especialidade.

Origem e Desenvolvimento

Acredita-se que a Acupuntura já era conhecida e praticada na Idade da Pedra. Achados arqueológicos em várias partes da China confirmam essa hipótese; junto a outros instrumentos de cura, foram encontradas agulha de pedra, que eram diferentes das de costura. A sua prática desenvolveu-se como um segredo de família, transmitida somente aos membros pertencentes ao clã, até a época do legendário Imperador Amarelo, tendo sido escrito em vinte e quatro volumes o Nei-Ching, o primeiro livro que tratou detalhadamente da Acupuntura. À partir de então, a técnica foi aperfeiçoada, e as agulhas, inicialmente de pedra, hoje são fabricadas com ligas de prata, ouro e aço inoxidável.

No ocidente, as primeiras referências à Acupuntura chegaram através dos missionários jesuítas, sendo que os seus relatos, apesar de serem interessantes, eram vagos. Somente em 1928, pela publicação do relato de Soulié de Morant, de forma completa e acurada, pôde-se dispor de um tratado que, pelo seu conteúdo, serve de referência até os dias de hoje.

Princípios Gerais da Prática da Acupuntura

Aplicação de agulhas

A Acupuntura consiste, conforme indica a origem da palavra (acus: agulha; punctura: punctura), na inserção, na profundidade de alguns milímetros, de agulhas finas, em pontos da pele especificamente determinados, em diferentes direções, dependendo da localização do ponto e do objetivo a ser alcançado, sendo deixadas por um determinado período de tempo e depois removidas.

Os meridianos

São linhas onde existem pontos distribuídos (pontos de acupuntura), que são associados a órgãos internos, e que se prolongam pelas partes principais do corpo e terminam nas pontas dos dedos das mãos ou dos pés. Na verdade, trata-se de um sistema de canais imateriais, no conceito dos chineses.
De uma maneira bem simplista, pode-se dizer que a prática da Acupuntura, prevenindo ou curando certas doenças, consiste na aplicação de agulhas em pontos (pontos de acupuntura) localizados nos meridianos, visando a tonificação ou sedação dos mesmos.

Para que serve a acupuntura no tratamento odontológico?

É mais utilizada na analgesia dentária ou como complemento da anestesia. Há indicações eficazes, porém menos difundidas, como auxiliar na mobilidade dentária, correção ortodôntica e doença periodontal, bruxismo, ansiedade da cadeira do dentista e outros narrados pela literatura internacional. A acupuntura é útil também para analgesia pós-procedimentos odontológicos, fato comprovado cientificamente por estudos internacionais, à partir de resultado do "NIH Acupuncture Consensus Conference".

A acupuntura substitui os tratamentos tradicionais?
Não. O seu papel é auxiliar, complementar ou otimizar o tratamento. Ela não tem nenhuma pretensão de substituir nada.

Aplicações na odontologia

No pré-atendimento

Pode ser de grande valia a indicação da acupuntura para o paciente ansioso, estressado e com fobia ao tratamento odontológico, assim como para pacientes hipertensos e portadores de doenças sistêmicas, possibilitando um atendimento menos traumático. Nos casos de cirurgia, esse condicionamento prévio pode resultar numa melhor condição de hemostasia e num pós-peratório mais tranqüilo.

Durante o atendimento odontológico

A analgesia tem sido descrita como uma aplicação das mais utilizadas, tanto em procedimentos de Dentística, Endodontia, Periodontia e em Cirurgia, sendo um procedimento menos traumático que a anestesia convencional.

Como tratamento de suporte

A Acupuntura pode ser coadjuvante no tratamento da disfunção da ATM (articulação têmporo-mandibular), do trismo, bruxismo, além de outras sintomatologias mastigatórias miofasciais. É de grande valia a efetividade no controle da dor nesses casos.

No pós-operatório

O controle da dor no período pós-cirúrgico possibilita ao paciente um certo grau de conforto, além de um menor consumo de medicamentos. Pacientes que passaram por radioterapia na região de cabeça e pescoço também podem se beneficiar com o uso da Acupuntura.

Como pode ser observado, existem várias indicações odontológicas para o uso da Acupuntura, que vão sendo aos poucos incorporadas à prática clínica, de acordo com a sua comprovação científica.

Acupuntura

A Acupuntura é uma terapêutica milenar que utiliza agulhas, moxas e outros instrumentos para liberar substâncias químicas no organismo com efeito analgésico e/ou antiinflamatório e assim, aliviar dor e outros sintomas decorrentes de determinadas doenças.

A denominação Acupuntura é atribuída a um jesuíta europeu no século XVII que adaptou os termos chineses Zhen Jiu, juntando as palavras latinas Acum (que significa agulha) e Punctum (picada ou punção). A tradução literal, no entanto, é bem diferente. O correto seria Zhen (agulha) e Jiu (moxa). A moxa ou mogusa (termo de origem japonesa) é confeccionada com as folhas secas da planta Artemisia sinensis, usada na moxibustão, ou seja, queima de pequenas porções desse vegetal associada ao tratamento com as agulhas.

Uma apresentação da acupuntura

A acupuntura é um método terapêutico antigo, utilizado há aproximadamente 5000 anos no oriente. Foi criada na China, sendo mais tarde incorporada ao arsenal terapêutico da medicina em outros países orientais como o Japão, Coréia e Vietnã.

Achados arqueológicos da Dinastia Shang (1.766 - 1123 AC) incluíam até agulhas de acupuntura e carapaças de tartarugas e ossos, nos quais estavam gravadas discussões sobre patologia médica. Mas o primeiro texto médico conhecido e ainda utilizado pela Medicina Tradicional Chinesa é o Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo (Nei Jing Su Wen), escrito na forma de diálogo entre o lendário Imperador Amarelo (Hwang-Ti) e seu ministro, Qi Bha, sobre os assuntos da medicina, segundo alguns autores durante a Dinastia Chou (1122 – 256 AC). Outros textos clássicos surgiram posteriormente, entre eles a Discussão das Doenças Causadas pelo Frio, O Clássico sobre o Pulso, O Clássico das Dificuldades (Nan Ching) e o Clássico sobre Sistematização da Acupuntura e Moxa.

A palavra acupuntura origina-se do latim, sendo que acus significa agulha e punctura significa puncionar. A acupuntura se refere, portanto, à inserção de agulhas através da pele nos tecidos subjacentes em diferentes profundidades e em pontos estratégicos do corpo para produzir o efeito terapêutico desejado. Mas, na verdade, acupuntura é uma tradução incompleta da palavra chinesa Jin Huo (ou Tsen Tsio) que significa metal e fogo. Para tornar uma longa história curta: os pontos de acupuntura distribuídos pelo corpo podem ser puncionados com agulhas ou aquecidos com o calor produzido pela queima da erva Artemisia vulgaris, (mais conhecida como moxa ou moxabustão). Podem ainda ser estimulados por ventosas, pressão, estímulos elétricos e, mais recentemente, lasers. Acupuntura e moxabustão fazem parte da chamada Medicina Tradicional Chinesa que inclui ainda uma fitoterapia bastante sofisticada.

Os chineses, ao longo destes milhares de anos, descreveram cerca de 1.000 pontos de acupuntura, dos quais 365 foram classificados em catorze grupos principais. Todos os pontos que pertencem a um dos grupos são ligados por uma linha imaginária na superfície do corpo denominada meridiano. Os doze meridianos principais controlam o pulmão, o intestino grosso, o estômago, o baço, o coração, o intestino delgado, a bexiga, o rim, o pericárdio, o “triplo-aquecedor”, a vesícula e o fígado. Existem também dois meridianos localizados no centro do corpo, um que passa pela frente e outro pelas costas. Todos os pontos de acupuntura ao longo destes meridianos afetam o órgão mencionado, mas não necessariamente da mesma maneira. Para os chineses tradicionais, nosso organismo é formado de matéria e energia e é justamente a parte energética, a força vital ou Chi que circularia nestes meridianos e todas as doenças seriam conseqüentes a um distúrbio da circulação do Chi. Embora este conceito tenha norteado a prática da acupuntura ao longo destes milhares de anos é um pouco metafísico demais para ser compreendido e aceito pelo mundo científico atual.

Evidências científicas acumulam-se acerca da eficácia da acupuntura, e a intimidade de seu mecanismo de ação está sendo pesquisada em muitos centros médicos do mundo, incluindo Escolas Médicas e Hospitais Universitários na China e no nosso próprio país. No Brasil, a acupuntura foi recentemente considerada uma especialidade médica pelo conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB), tendo sido realizado, em outubro de 1999, o primeiro concurso para o Título de Especialista em Acupuntura, no qual mais de 800 médicos foram aprovados.

No Ocidente, a acupuntura ganhou credibilidade principalmente por seu efeito no alívio da dor, seja ela de várias origens. Esta é uma das razões para a ênfase atual da pesquisa no estudo dos mecanismos analgésicos da acupuntura. O foco de atenção tem sido o papel dos opióides endógenos neste mecanismo. Ao longo de sua evolução, o cérebro desenvolveu sistemas complexos de modulação (aumentar ou diminuir) da percepção da dor. Em especial o sistema opióide (semelhante à morfina) e o sistema não opióide de analgesia (os neurotransmissores) suprimem a percepção da dor, enquanto que o sistema antiopióide (por ex., colecistoquinina) trabalha contra a analgesia opióide. Opióides são liberados durante acupuntura e a administração prévia de naloxona (droga bloqueadora que reverte os efeitos da heroína, morfina e de outras drogas semelhantes) anula o efeito da acupuntura; porém se a acupuntura for realizada previamente à administração de naloxona não há bloqueio do seu efeito. Além disto observou-se aumento da concentração de endorfinas e também de serotonina no líquido cefaloraquidiano de doentes submetidos à acupuntura.

Mas a acupuntura não causa apenas um efeito analgésico, ela provoca múltiplas respostas biológicas. Estudos em animais e humanos mostram que o estímulo por acupuntura pode ativar o hipotálamo e a glândula pituitária, resultando num amplo espectro de efeitos sistêmicos, aumento na taxa de secreção de neurotransmissores e neurohormônios, melhora do fluxo sanguíneo, e também a estimulação da função imunológica são alguns dos efeitos já demonstrados.

A Organização Mundial da Saúde lista mais de 40 doenças para as quais a acupuntura é indicada. Para os chineses tradicionais existem cerca de 300 doenças tratáveis por acupuntura, entre elas, sinusite, rinite, resfriado, faringite, amigdalite aguda, zumbido, dor no peito, palpitações, enfizema, bronquite crônica, asma brônquica, alterações menstruais, cólica menstrual, lombalgia durante a gravidez, ansiedade, depressão, insônia, mal-estar provocado pela quimioterapia, dores associadas com câncer, tendinites, fibromialgia, dores pós-cirúrgicas, síndrome complexa de dor regional, dermatites, gastrite, úlcera gástrica, úlcera duodenal, colites, diarréia, constipação, cefaléias, enxaqueca, paralisia facial, seqüelas de acidente vascular cerebral, lombalgia, ciatalgia, artrose, artrite, entre tantas outras.

A pesquisa em acupuntura é importante não apenas para elucidar os fenômenos associados ao seu mecanismo de ação mas também pelo potencial para explorar novos caminhos na fisiologia humana ainda não examinados de maneira sistemática.

Artigo publicado por valeria aparecida da cruz rocha em 2/8/2008 21:07:00. Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores.
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