
Os meteorologistas afirmam que este é o mês de julho mais seco dos últimos 14 anos. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), não chove na capital paulista desde 23 de junho, uma estiagem de 28 dias. Os moradores de São Paulo sofrem e sentem os efeitos disso. Nesta segunda-feira (21), o índice de umidade relativa do ar foi de 27%, o que já deixa a capital em estado de atenção.
Em um ponto de táxi, os galões de água não dão mais conta. O nariz não pára de coçar, a respiração fica mais difícil e os olhos sentem o incômodo. A secura visível nas plantas é semelhante ao que acontece no organismo. Com a falta de umidade, o corpo tem de trabalhar dobrado para manter as funções vitais, como a respiração.
O pulmão é o que mais sofre com a baixa umidade. Precisa estar 100% hidratado. Quando as pessoas estão em um ambiente com umidade relativa do ar a 30%, ele precisa tirar do próprio corpo os outros 70%. Por isso, ele fica desidratado e o metabolismo, mais lento. “Essa desidratação leva a um quadro de tontura, mal-estar, sonolência, moleza e dores de cabeça que pioram a qualidade de vida das pessoas”, disse o fisiologista Paulo Zogaib.
Sem chuva há mais de 20 dias, cidade sofre com os efeitos da poluição e da baixa umidade.
Índices devem melhorar um pouco no fim de semana, mas chuva ainda não aparece.
Sem receber chuva desde o começo do inverno, há mais de 20 dias, a cidade de São Paulo – e os paulistanos – sofrem com o tempo seco. Nesta sexta-feira (18), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a umidade relativa do ar ainda deve continuar baixa, abaixo dos 30%. Para o fim de semana, entretanto, ventos que vêm do litoral devem trazer um pouco de umidade à capital paulista e aliviar um pouco os reflexos na saúde da população.
Dicas para enfrentar o tempo seco
“Vai ter uma virada de ventos, trazendo um pouco de umidade do oceano. Não é muito intenso nem dura muito, mas já melhora um pouco, pelo menos estabiliza os índices e impede sua diminuição”, explica o meteorologista do Inmet Franco Villela. “Hoje o tempo continua seco, com umidade entre 27% e 28%. As pessoas mais sensíveis, como crianças, idosos, pessoas com problemas respiratórios, devem evitar sair à tarde, entre 14h e 16h, e não devem fazer exercícios físicos nesse horário. É preciso tomar certos cuidados”, recomenda.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera tolerável a umidade acima dos 30%. Entre 20% e 30%, é considerado estado de atenção; entre 12% e 20% é verificado estado de alerta; e abaixo de 12% é estado de emergência.
A empregada doméstica Laudecyr Ribeiro, de 47 anos, conta que ela mesma não sente muito os efeitos da estiagem. A preocupação maior são seus dois filhos pequenos. “As crianças estão sentido, com o nariz seco, a respiração ofegante. Tem que colocar bastante soro para melhorar. Isso acontece quando fica sem chover muito tempo”, conta.
E a chuva, que aliviaria o problema, ainda deve demorar a aparecer. “Estamos com uma massa de ar seco bastante estável. Só mais para o meio da próxima semana que deve haver a chegada de uma massa se ar frio. Para quinta-feira (24) há previsão de chuva, mas ainda está um pouco longe”, explica Villela.
A promotora de vendas Mônica Gomes, de 22 anos, sente mais forte os efeitos da poluição quando o tempo está seco. “É muito ruim, junto com a poluição, faz muito mal à saúde”, diz. “O nariz arde por causa do tempo seco. Eu costumo colocar um balde com água no quarto para aliviar. Podia chover logo”.

Já Luiz Alexandre e Vera Lúcia da Silva, que chegaram nesta sexta a São Paulo vindos de Curitiba, no Paraná, já estavam acostumados com a baixa umidade, mas também sentiram os efeitos. "Lá também está assim. A boca fica seca, o olho arde, seca a própria pele", reclama o representante comercial Alexandre.
Para o fim de semana, o tempo deve continuar como o das últimas semanas: céu aberto, com sol, temperaturas mais baixas no início da manhã e mais altas durante a tarde. “Domingo deve ter um pouco mais de nuvens, mas ainda é pouco” conta o meteorologista.
Por causa dos baixos índices de umidade, a Secretaria Municipal de Saúde trabalha com a expectativa de aumento significativo de doenças respiratórias como gripes, resfriados, rinites, bronquites e pneumonias.
Segundo a secretaria, entre abril e setembro de 2007, meses historicamente considerados mais críticos em relação aos indicadores de umidade, foram realizadas 1,5 milhões de inalações na rede municipal de saúde. Só no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, referência em pediatria na Região Metropolitana de São Paulo, as doenças respiratórias representaram 70% dos casos atendidos no pronto-socorro no período. Além das crianças, os idosos são os que mais sofrem neste período.
A prevenção, segundo especialistas, tem papel fundamental para evitar o agravamento dos problemas respiratórios. São eles:
- Deixar sempre as janelas abertas para favorecer a circulação de ar;
- Evitar locais fechados com aglomeração de pessoas;
- Consumir muito líquido;
- Aumentar a umidade do ar na casa ou apartamento, colocando, por exemplo, uma bacia com água no quarto das crianças;
- Limpar a casa e os móveis com panos úmidos para evitar o contato com o pó, foco de ácaros, responsáveis por alergias respiratórias.
O encaminhamento para um posto médico deve ser feito caso sejam identificados os seguintes sintomas:
- Febre alta e persistente;
- Presença de tosse e coriza por mais que cinco dias;
- Falta de ar e dificuldade respiratória;
- Dores que não desaparecem após o uso de analgésicos.
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